Técnicos criticam proposta para não plantar soja
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2002
Ana Paula Nascimento Reportagem Local 
Com o argumento de que é necessário diminuir a produção mundial de soja, a Organização Não Governamental (ONG) Focus on Sabbatical, formada por produtores norte-americanos e canadenses, propôs, na terça feira passada, na Confederação Nacional de Agricultura (CNA), pagar aos produtores brasileiros US$ 165 para cada hectare de soja que deixassem de plantar. O que na cotação de ontem (R$ 2,41/dólar) corresponderia ao recebimento de R$ 397,65/ha, sendo que o lucro médio do produtor brasileiro é avaliado em R$ 329,00/ha.Um bom negócio para o produtor, mas impossível de ser realizado, na opinião do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Soja (Aprosoja), Iwao Miyamoto.
Segundo ele, a fiscalização seria o maior empecilho para se concretizar o objetivo de diminuir a produção de soja no Brasil. O produtor poderia até se comprometer a não plantar em uma área determinada, mas como temos grandes fronteiras agrícolas, não seria difícil encontrar outro local de plantio, afirma. Nos Estados Unidos, a situção é diferente porque as lavouras são controladas por satélite. Acho que quem fez a proposta para o Brasil pensa que temos controle exato sobre a área de plantio, comenta.
Para este ano, está sendo projetada área de plantio de 15,6 milhões de ha, com produção avaliada em 43 milhões de toneladas. Em 2001, foram plantados 14 milhões de ha, totalizando produção de 38 milhões de t.
Quando questionado sobre outra alternativa de controle de produção, Miyamoto disse que o que rege o mercado é a lei de mercado , de oferta e demanda, e que sempre vai ser assim. Cada um tenta conquistar o seu espaço, e é natural que a quebra aconteça quando a oferta supera a demanda, diz.
Sem excedenteNa opinião do diretor e analista da Brasoja, empresa de consultoria e corretagem, Antônio Sartori, o argumento de excedente de produção é infundável. Quem afirma isso não conhece o mercado. No ano passado, tivemos produção mundial de 183 milhões de t, com estoques finais avaliados em 28 milhões de t. Isso não é excedente, é estoque de passagem, avalia.
Sartori também critica a proposta, dizendo que na verdade ela esconde fortes interesses de barrar a expansão produtora de grãos do Brasil. O nosso crescimento é irreversível, e mesmo que atualmente a rentabilidade do produtor brasileiro não seja muito grande, esse tipo de proposta não pode ser aceita. A médio prazo o governo norte-americano não vai mais conseguir bancar os subsídios agrícolas que praticam, e aí será a nossa vez de sedimentar mercado, afirma.


