Técnicos avaliam potencial do aterro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de setembro de 2006
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
Até o final do ano o município deverá realizar uma licitação para a escolha da empresa que vai instalar o projeto de crédito de carbono em Londrina. Ontem, técnicos da empresa inglesa Eco Securities estiveram novamente no município e visitaram o aterro sanitário para reavaliar o potencial do local em relação ao gás metano (CH4) - gás que ao queimar se transforma em CO2 e reduz os níveis de poluição do meio ambiente - a partir do lixo depositado. Os técnicos se mostraram bastante interessados em participar da licitação.
''Voltamos porque percebemos que Londrina tem potencial. Aqui no aterro existe a possibilidade de se instalar um projeto técnico para comercializar o crédito de carbono'', garantiu Toni Michele Nelson, cientista ambiental da Eco Securities, que esteve em Londrina no mês passado para fazer a primeira avaliação. Toni preferiu não adiantar muitos detalhes de suas propostas, já que a empresa terá que participar de uma licitação para operar o projeto de crédito de carbono. Ela reiterou que o aterro de Londrina é pequeno, mas bem estruturado, o que viabiliza a execução do empreendimento.
Segundo a cientista, o projeto de crédito de carbono consiste em um equipamento que coleta o biogás e, através de tubos, o encaminha até um sistema que mede o fluxo de gás que será queimado - ao invés de sair para a atmosfera. A partir desse sistema é calculado o crédito de carbono. ''Essa é uma metodologia aprovada pela Organização das Nações Unidas (ONU)'', completou Toni. O crédito de carbono é calculado em toneladas. No mercado internacional, cada tonelada está cotada em média entre 5 a 7 euros.
Sem dar detalhes do potencial de Londrina, Toni ressaltou que um aterro, localizado em Vitória (ES), com uma área e estrutura parecidas com as da cidade, tem prevista a produção de 40 mil toneladas este ano. ''Ainda é uma previsão, pois o projeto não completou um ano'', comentou a cientista.
O técnico Francisco Blanco, da empresa inglesa Biogas, parceira da Eco Securities, ressaltou que a visita de ontem serviu para colher mais detalhes do aterro. ''Pegamos mais informações do banco de lixo, da profundidade do aterro, do chorume, para calcularmos o potencial teórico e 'desenharmos' nossa proposta para concorrer à licitação'', destacou Blanco.
Segundo Francisco Moreno, presidente da Companhia de Trânsito e Urbanização de Londrina (CMTU), que opera o aterro sanitário, o município pretende elaborar o edital de licitação - já que tem várias empresas interessadas - até novembro, para que até meados do próximo o ano o projeto seja instalado. ''Precisamos fazer alguns levantamentos técnicos e jurídicos, a partir da experiência de outras cidades, para analisar como deve ser o projeto'', disse Moreno. O levantamento também será fundamental para que a CMTU dite qual deverá ser o valor mínimo da proposta.
De acordo com Moreno, o dinheiro arrecadado com a venda dos créditos de carbono será aplicado para a melhoria do aterro sanitário e também para o desenvolvimento de projetos ambientais em Londrina.


