Um apelo para que técnicos e agricultores do Paraná levem em conta o zoneamento agrícola na hora planejar os plantios das principais culturas, foi feito ontem pelo especialista Luiz Antônio Rossetti, secretário-executivo da Comissão Especial de Recursos do Ministério da Agricultura, a propósito da antecipação da safra de verão, principalmente o milho.
‘‘O agricultor tem que usar o zoneamento agrícola para reduzir riscos e evitar desperdícios. O zoneamento é uma ferramenta criada para ajudar a produção e já produziu muitos benefícios’’, disse.
O apelo do técnico do Ministério da Agricultura não acontece por acaso. Ontem, tanto o Departamento de Economia Rural (Deral) como o Iapar confirmaram que o milho plantado no início de agosto no Norte Pioneiro está sofrento falta de chuvas e ataque de lagartas.
Depois de fazer um rápido histórico do zoneamento agrícola - ‘‘uma medida de coragem do ministro da Agricultura àquela época (1995), José Eduardo de Andrade Vieira’’, Rossetti lembrou que o zoneamento foi implantado em cima de parâmetros técnicos e científicos e baseado na realidade de cada região. Disse que cada indicador foi muito estudado; o histórico do clima e microclima foi considerado. ‘‘A recomendação do ministro José Eduardo era para que se fizesse um instrumento de apoio, não um complicador - lembrou Rossetti. E, nesses anos todos - acrescentou - os benefícios foram muitos. Esses benefícios se expressam na redução de perdas por problemas climáticos como excesso de chuvas, ou seca, conforme a região e o produto. São bilhões em economia para os produtores e para o País’’, garantiu.
Rossetti acrescentou que no caso do Paraná a implantação do zoneamento contou com apoio do Iapar e Embrapa e levou em conta informações acumuladas por esses órgãos. O resultado é que hoje o Paraná - e outros Estados - podem contar com esse instrumento para organizar a produção.
Para se ter idéia do grau de detalhamento do zoneamento agrícola, Rossetti disse que só no município de Londrina o trigo tem três situações diferentes para semeadura.
Lagartas no milho O pesquisador Antônio Carlos Gerage, do Iapar, e a engenheira agrônoma Vera Zardo, chefe do Deral, confirmaram ontem que está havendo ataque de lagartas no milho plantado no início de agosto em alguns municípios do Norte e Norte Pioneiro. As atuais condições do tempo e o estágio de desenvolvimento da planta facilitam disseminação das pragas. Além disso, em muitos municípios está faltando chuva.
A época indicada pelo zoneamento agrícola na região é a partir 20 de setembro, segundo Gerage. Isso não quer dizer que não se pode antecipar o plantio, desde que hajam condições favoráveis, mas tem que ser por conta e risco do produtor, segundo os técnicos. Há um grupo de agricultores na região Norte que antecipa em algumas semanas, mas estão conscientes que o correto é seguir o zoneamento.
Segundo o Deral, seca e ataque de pragas estão ocorrendo no Norte Pioneiro e Norte do Estado. No Sul, Sudoeste e Noroeste o plantio é tardio, variando conforme o município.
Informações no site Técnicos e agricultores podem acessar o site do Ministério da Agricultura: www.agricultura.gov.br - clicar zoneamento agrícola proagro, dentro dessa página, clicar ‘‘cartilha’’. Há centenas de informações por produto e município.