O governo deveria aproveitar o racionamento de energia e a consequente mobilização da população para adotar medidas que diminuíssem o consumo no horário de pico – aproximadamente entre 17h30 e 20h30 –, pois qualquer planejamento energético contando com o consumo máximo deixará o sistema ocioso no restante do tempo. Essa é a opinião do professor Edmilson Moutinho dos Santos, coordenador do Fórum da Energia do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo (IEE/USP).
A melhor maneira de fazer isso, segundo Santos, é elevar bastante a tarifa no horário de pico. ‘‘Tem que ser um valor significativo, para obrigar as pessoas a se adaptarem. O que temos hoje é muito chuveiro ligado e geladeira abrindo e fechando ao mesmo tempo’’, diz. Uma medida desse tipo, para o professor de economia do petróleo e gás natural no Programa de Pós-Graduação em Energia da USP, implicaria em instalar medidores próprios para o controle nas residências, portanto, é uma medida de médio prazo. ‘‘Mas é bom lembrar que curto prazo, na área de energia, é a próxima eleição, e longo prazo, são dez anos’’, diz.
Segundo Santos, na França, o consumidor negocia a potência do disjuntor com a companhia de eletricidade. ‘‘O contrato vai dizer quanto você vai precisar de potência e a companhia coloca um disjuntor compatível. Assim, importa a potência (quanto de energia você gasta ao mesmo tempo) e não o total de energia usada. Se o uso for distribuído, não importa muito a quantidade, pois como energia não se armazena, o ideal é consumir o que é produzido’’.
(AE)

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