Técnico quer moratória para transgênicos
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terça-feira, 21 de novembro de 2000
Sandra Hahn Agência Estado 
Especialista em agricultura ecológica, o
professor chileno Miguel Altieri defendeu ontem uma moratória para os produtos transgênicos até que fique demonstrado que eles não têm impacto significativo para a saúde ou o ambiente. Não há um período razoável para a moratória, ela deve durar quanto tempo for necessário para estudar os transgênicos, argumentou Altieri, que é engenheiro agrônomo e professor da Universidade da Califórnia (EUA).
Ele afirmou que há poucas pesquisas independentes sobre os alimentos geneticamente modificados, mas as que foram realizadas revelaram impactos ambientais e riscos para a saúde humana. Altieri foi palestrante em um seminário sobre agricultura ecológica, que se realiza em Porto Alegre, para discutir agricultura orgânica e questões ambientais.
Ele revelou que há mais 45 milhões de hectares cultivados com produtos transgênicos no mundo, a metade nos Estados Unidos e que a tecnologia ganha força em função das vantagens econômicas que oferece aos produtores. A agricultura ecológica ocupa cerca de 7 milhões de hectares e a América Latina é a região em que ela está mais desenvolvida, analisou.
Altieri fez uma distinção entre agricultura ecológica e orgânica. A primeira é a chave para o desenvolvimento da agricultura familiar, segundo ele, pois não enfatiza pacotes tecnológicos. Já no cultivo orgânico, os agricultores dependem de agências certificadoras localizadas no hemisfério norte, que fornecem atestados para o produto e o tornam mais caro, inacessível ao agricultor familiar e à maioria dos consumidores.
No Rio Grande do Sul, há experiências com cultivo ecológico em cerca de cem municípios, informou o diretor técnico da Emater-RS, Francisco Caporal. O secretário estadual da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, disse que o objetivo do governo é incentivar as formas ecológicas de produção e, para isso, disponibilizou R$ 4 milhões em créditos via Banco do Estado do R io Grande do Sul (Banrisul) em setembro. A produção de alimentos ecológicos será debatida atá a próxima quarta-feira em Porto Alegre (RS). Amanhã, haverá apresentação de experiências de cultivo ecológico e, na quarta-feira, discussão sobre os efeitos dos transgênicos.
Importação A Avipal entregou ao Programa Estadual de Defesa do Consumidor (Procon) do Rio Grande do Sul um relatório de quase 200 páginas para responder às questões formuladas pela entidade sobre o milho transgênico que a indústria gaúcha importou da Argentina. O Procon abriu um processo administrativo para analisar o caso. O produto foi liberado pela Justiça Federal para ser utilizado como ração animal.
A carga de milho transgênico foi comprada pela Avipal e pela corretora Serra Morena, que já havia enviado esclarecimentos ao Procon. O coordenador da entidade, Bem-Hur Rava, irá examinar o processo. Em seu relatório, a Avipal incluiu decisões judiciais e pareceres favoráveis ao uso dos transgênicos como ração.


