Técnico propõe novo sistema de crédito rural Arquivo FolhaÁgide Meneguette, que tomou posse da presidência da Faep Vânia Casado De Curitiba O professor Guilherme Dias, da Universidade São Paulo, está propondo um novo modelo de financiamento para o meio rural. Ele defende a parceria entre os grandes bancos e o sistema cooperativo de crédito. Dias disse que o modelo atual de financiamento da agricultura está esgotado e cada ano que passa o fluxo de recursos ao setor é menor. ‘‘A agricultura precisa no mínimo entre R$ 42 bilhões e R$ 43 bilhões para o seu financiamento e o fluxo atual no financiamento não ultrapassa a R$ 10 bilhões’’, ressalta. Dias esteve ontem em Curitiba, falando a presidentes de sindicatos rurais, durante a solenidade de posse de Ágide Meneguette na presidência da Faep, quando assumiu o quarto mandato consecutivo. Meneguette comprometeu-se a dar continuidade ao trabalho de integração dos produtores ao processo de modernização da agropecuária. Na detalhação de sua proposta aos produtores rurais, Dias afirmou que os instrumentos atuais de crédito como EGF, AGF, CPR e outros concentram muita responsabilidade ao produtor, quando o risco deveria ser dividido com o sistema financeiro. No modelo defendido por Dias, os grandes bancos financiam a agricultura à distância, sendo que o repasse do crédito deve ser feito por uma agência local, de preferência do sistema cooperativo, que desenvolve uma relação de proximidade com o agricultor e com a região. ‘‘Nos grandes bancos, o gerente pouco conhece a região onde atua porque está mais preocupado em fazer carreira na sua empresa e não com o desenvolvimento local’’, justifica. Dias argumenta que as agências locais são mais eficientes na concessão de empréstimos porque conhecem a capacidade de pagamento dos tomadores do crédito. Essas agências também poderão usar a poupança de uma pessoa para financiar a outra, na região. No entanto ele admite as dificuldades de funcionamento de agências locais, sendo que o próprio governo estabelece uma série de regras que engessam a instalação de agências locais. ‘‘ Isso porque os grandes bancos vêm o sistema cooperativo de crédito como um inimigo e não pode ser assim’’, afirma.