'Técnico é grande furo do mercado de trabalho'
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Andréa Bertoldi <br> Equipe da Folha 
Curitiba - O setor moveleiro é umas das áreas que mais sofre com falta de mão de obra qualificada no Paraná. ''Quem quiser técnico vai ter que formar'', disse o consultor de carreiras, Max Gehringer. Ele participou ontem do 2º Congresso Moveleiro do Paraná, promovido pela Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), em Curitiba.
O especialista destacou que, a partir da década de 1990, com a proliferação de faculdades no Brasil, criou-se um vácuo no mercado de técnicos. Com isso, há falta de profissionais essenciais para o setor como marceneiros e carpinteiros. Apesar de as chances de conseguir um emprego com formação de curso técnico serem maiores, os jovens têm optado mais pelas universidades. Além disso, o volume de propaganda em torno dos cursos universitários é muito maior do que dos cursos técnicos, o que tem atraído mais pessoas para as faculdades.
Uma das soluções que ele apontou como saída para o problema foi a criação de mais cursos na área moveleira para formar mão de obra especializada. ''As empresas poderiam se unir para promover cursos'', disse. Com a falta de pessoal especializado, as fábricas também têm dificuldade para expandir os investimentos.
''A empresa que depende mais de trabalho específico é a que está se complicando. Muitos móveis ainda são feitos quase que artesanalmente'', destacou. Outra alternativa que ele apontou para o setor é as empresas oferecerem cada vez mais condições para que os funcionários não saiam da companhia através de benefícios como cursos, participação nos lucros e resultados, bolsa de estudos para os filhos, prêmio por produção e viagens. Também é importante ter um bom líder para não perder o empregado.
No Brasil, segundo ele, sempre houve sobra de mão de obra barata. Mas, nos últimos anos, as pessoas têm se interessado em trabalhar com informática, abrir franquias, serem empresários, atividades novas que não existiam há alguns anos.
''O grande furo do mercado de trabalho é o técnico'', destacou. Por outro lado, há uma enorme massa de desempregados de até 25 anos de idade, muitas vezes com curso superior, e que nunca trabalharam na vida. ''Hoje, as empresas querem experiência prática e formação teórica'', disse.
''As faculdades no Brasil tornaram-se um excelente negócio, mas é preciso divulgar mais o curso técnico e mostrar para o jovem que terá um bom futuro com essa formação técnica'', completou.


