''As indústrias estão usando de um artifício legal (mas questionável, desrespeitoso) para aumentar o lucro na venda de seus produtos. A mágica é simples: sem que o consumidor perceba, elas diminuem a quantidade dos seus produtos, mas os preços continuam os mesmos'', critica o técnico do Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) do Paraná, Marcelo dos Santos Trautwein.
Ele explica que o Ipem não tem competência legal para agir nos casos em que o peso indicado na embalagem esteja correto, mesmo que fora das especificações que o consumidor estava acostumado. Antes, o biscoito por exemplo, só podia ser comercializado em embalagens de 1 quilo, 500 gramas, 200 gramas e 100 gramas ou menos. Agora é comum encontrar embalagens com 127 gramas, 132,7 gramas e 176 gramas.
Isso ocorre porque o Brasil revogou mais de 200 portarias do Inmetro que estabeleciam regras de padronização de produtos comercializados no País, para facilitar a entrada de produtos produzidos nos países que fazem parte do Mercosul. ''Produtos quantitativos antes padronizados pelo governo federal passam a ter dois pesos e duas medidas. O Brasil abriu mão de uma padronização com a criação do Mercosul'', destaca Trautwein.
Na avaliação de Trautwein, ocorreu um retrocesso no País, cujas regras já estavam próximas dos padrões do primeiro mundo. (B.B.)

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