O norte do Paraná pode perder o gás de Pitanga – caso o volume de gás seja confirmado – por falta de articulação das lideranças da região. A afirmação é do gerente geral da Unidade Sul de Negócios de Exploração e Produção da Petrobras, Fernando Borges, que falou à Folha ontem à tarde, por telefone.
Borges lembrou que a empresa americana Coastal é majoritária na perfuração e exploração do poço do Mato Rico, em Pitanga, região central do Paraná. ‘‘Na hora em que o volume for confirmado, a empresa vai vender o gás onde for viável economicamente. A Coastal foi comprada pela El Paso, que é a maior empresa de energia de geração termelétrica dos Estados Unidos’’, disse.
‘‘Se a confirmação acontecesse hoje, não teríamos para quem vender o gás no Norte do Paraná. As lideranças precisam se organizar para captar compradores e até possíveis interessados em investir na construção de um gasoduto. Este processo já está atrasado. Por enquanto, não temos nenhuma garantia de compra mas apenas um potencial de consumo de 500 mil metros cúbicos na região’’, afirmou Borges. Para ele, as indústrias já teriam que estar se adaptando para usar o gás. ‘‘Os vários segmentos têm que se unir para viabilizar o consumo na região, para não serem pegos de surpresa’’, defende.
A Petrobras e a Costal ainda analisam a vazão do Poço do Mato Rico. No próximo mês, começa a ser realizada a ‘‘sísmica 3D’’ a fim de avaliar melhor a distribuição das rochas da bacia, além da perfurações de novos poços.
Por enquanto, está confirmada apenas a vazão de 150 mil metros cúbico/dia nos poços Barra Bonita 1 e 2, que serão usados na termelétrica de Pitanga. O potencial do Mato Rico, a ser confirmado no próximo ano, é de 1 milhão de metros cúbicos/dia. Borges acredita que a empresa vai conseguir provar que Pitanga tem gás para exploração. ‘‘Estamos investindo muito dinheiro, apostando nisso’’.
O gerente da Petrobras disse que, quanto mais perto estiver o mercado consumidor, mais barata será a tarifa de transporte. O gás do Bolívia-Brasil custa US$ 2,5 por milhão de BTU (unidade de energia), sendo que na composição deste preço a tarifa de transporte é responsável por US$ 1,5. ‘‘O gás de Pitanga vai custar menos de US$ 2’’, afirmou Borges, que não soube informar se o preço do gás paranense será atrelado ao dólar. ‘‘Vai depender se o financiamento será captado em dólar ou em real’’.
Um funcionário da Coastal, que preferiu manter seu nome em sigilo, disse ontem que a empresa trabalha para apurar o tempo de vazão do gás. ‘‘O Mato Rico tem um volume de 1 milhão de metros cúbicos/dia. Mas a vazão diária baixa conforme o uso. Precisamos garantir esta vazão por um prazo de 25 anos’’, afirmou. O investimento na perfuração de cada poço varia de US$ 7 milhões a US$ 10 milhões. Outra opção de fonte de gás para abastecer a região, e que está sendo estudada pela Compagas, é um ramal do gasoduto Brasil-Bolívia vindo de Penapólis (SP).

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