O herbicida 2,4D não é um dos agrotóxicos mais fortes que existem no mercado, mas o seu uso é problemático porque ele é muito agressivo em muitas lavouras, matando-as, sem possibilidade de recuperação. Essa é a opinião do chefe do Setor de Fiscalização de Comercialização de Agrotóxicos da Secretaria da Agricultura e Abastecimento, Alvir Jacob. Segundo ele, a classe toxicológica do 2,4D é 2, sendo que a classe 1 é a mais forte, e a 4, a mais fraca.
Segundo Jacob, o herbicida é muito eficaz para matar ervas daninhas de folhas largas, em plantações de milho e trigo. O engenheiro agrônomo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Dionisio Gazziero, tem a mesma opinião. Para ele, a potência do 2,4D aliado ao preço baixo pelo qual é vendido explica a sua utilização em larga escala.
Porém, mesmo sendo eficiente, o herbicida causa muita polêmica, porque a sua aplicação depende bastante das condições climáticas. Se ele for utilizado quando a velocidade do vento for superior a 7 km/hora, ou em temperaturas altas ou em dias que a umidade do ar esteja muito baixa, facilmente ele será transportado para a propriedade vizinha (ação que é chamada de deriva), causando destruição se a plantação não for de milho, trigo ou gramíneas.
Na opinião de Jacob, a estrutura das propriedades no Paraná colabora para que a deriva ocorra. ‘‘As divisas entre uma propriedade e outra não existem, são limitadas apenas pelas plantações, o que facilita o contágio’’, diz. Além disso, como o agrotóxico é utilizado nas lavouras de milho e trigo, que são bem extensas, os produtores geralmente fazem a aplicação do produto com tratores. ‘‘As máquinas podem ter até 64 bicos pulverizadores e assim fica muito difícil controlá-las.’’ Os grandes produtores também usam aviões para fazer a pulverização do 2,4D, meio que também possibilita a deriva. Jacob diz que a maneira mais segura de aplicação é o costal, em que uma pessoa leva a bomba com o produto nas costas e pode controlar a bomba pulverizadora.
Para o engenheiro agrônomo da Embrapa, os problemas com o 2,4D começaram a surgir porque ocorreu uma diversificação nas lavouras no Paraná. ‘‘Antes havia basicamente soja, trigo e milho. Com o aumento de área plantada de outras culturas bastante sensíveis, como uva, passamos a ter a polêmica com o herbicida’’, relata Gazziero. Segundo ele, também houve aumento das reclamações contra o agrotóxico porque ele deixa sinais nas plantas que ataca. ‘‘Às vezes as lavouras têm problemas e as pessoas nem sabem o que causou, mas no caso do 2,4D sim, pois ele queima as plantas.’’
Gazziero diz que em casos comprovados de mau uso do herbicida, prejudicando a plantação do vizinho, o produtor que o aplicou, junto com o engenheiro agrônomo que receitou o produto, devem ser responsabilizados. No mercado há produtos que podem substituir o 2,4D, informa Gazziero. No plantio direto, por exemplo, ele diz que a melhor sugestão é usar o glifosato.

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