Rio de Janeiro- O técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agrícola (Embrapa), Décio Gazzoni, defendeu ontem o descolamento do programa de biodiesel das oleaginosas alimentícias. Segundo ele, a elevada demanda prevista para essas oleaginosas, tanto no campo energético quanto no campo alimentício nos próximos anos, pode inviabilizar o programa. ''Nós já estamos vendo isso no óleo de soja, que teve seu preço elevado em 75% desde outubro'', disse ele em entrevista durante o 1º Encontro Nacional de Novas Fontes de Energia promovido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan).
Segundo Gazzoni, esse aumento de custos no valo RDA soja no mercado internacional foi provocado pela elevação dos custos dos insumos na cultura, diante de um crescimento da área plantada. ''Se considerarmos o crescimento populacional e também o per capita da China esperado para os próximos anos, veremos que Fidel Castro tem razão em se preocupar de que pode faltar alimento no mundo devido a esses novos programas energéticos'', disse.
Para o técnico da Embrapa, no Brasil a principal alternativa ao óleo de soja, apesar de ainda não ter escala, é o pinhão manso, ou ainda o óleo de palma. ''Ambas as culturas possuem produtividade equivalente e não competem com o segmento alimentício'', afirmou Gazzoni. Ainda segundo ele, ''dentro de 10 anos, já veremos uma nova tecnologia para produção desse biodiesel a partir de outras formas de produção como a hidrólise''.
Ele defendeu que, visando uma organização maior do setor, para maior aproveitamento de todos os tipos de tecnologia e formas de produzir o biodiesel, é necessário criar uma espécie de Organização Mundial do Comércio (OMC) específica para discutir as políticas relativas ao biocombustível.
''É claro que temos que respeitar a soberania de cada país e a forma como ele decide produzir a aproveitar o biodiesel. Mas isso só funciona na teoria. Se todo mundo for na mesma direção, tentando sacar da mesma fonte, certamente teremos turbulências a curto prazo'', afirmou Gazzoni, lembrando que apenas para atender a demanda esperada por biodiesel no mundo, na próxima década, o Brasil precisaria crescer sua produção de biodiesel em 8,5% ao ano.

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