O mesmo movimento de exclusão de agricultores ocorrido nos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial está se repetindo no Brasil. Aqui, o fenômeno tende a se acelerar e nos próximos 10 anos o índice de população vivendo no meio rural vai despencar dos atuais 20% para 10%.
Para o especialista em transformações do agronegócio nos EUA e Brasil, Marcos Jank - pós-doutorado em Agribusiness pela Universidade de Columbia -, a repetição desse movimento no Brasil é inevitável em função da cópia da política agrícola americana nas décadas de 60 e 70.
Jank falou ontem em Curitiba para dirigentes de cooperativas, alertando-os sobre a concentração das atividades agrícolas. Ele defende uma reversão dos recursos governamentais, ‘‘que ainda teimam em salvar a agricultura familiar’’. O técnico destaca que esses recursos devem ser aplicados em educação e qualificação dos filhos de produtores rurais para que desempenhem funções no mercado de trabalho urbano.
Essa exclusão começa pela renda porque os agricultores vão ganhar cada vez menos no campo, explica o especialista. Segundo Jank, nos Estados Unidos apenas 17% dos produtores ganham dinheiro. Para se enquadrar nessa faixa, eles precisam ter uma renda anual acima de US$ 100 mil, o que corresponde a R$ 200 mil anuais. Os demais 83% só continuam na atividade porque complementam a renda com outras atividades não agrícolas como aposentadorias, renda do trabalho da família ou algum tipo de atividade urbana.
Para Jank, a modernização do setor será a mola que vai acelerar essa exclusão. Citou como exemplo, o que ocorreu com a pecuária leiteira nos EUA. Entre 1959 e 1969 o número de produtores caiu de 1,75 milhão para menos de 500 mil. Esse movimento foi estimulado pela granelização (coleta do leite em caminhões tanque), fase que está sendo iniciada agora aqui no Brasil.
Jank prevê que os atuais um milhão de produtores de leite em atividade serão reduzidos para menos de 300 mil nessa década de 2000.
Essas transformações vão exigir adaptações das cooperativas. Segundo Jank, nos Estados Unidos havia 10 mil cooperativas no final da Segunda Guerra. Hoje não passam de quatro mil. Suas administrações foram profissionalizadas e tiveram que reduzir o número de cooperados, restringindo o atendimento aos produtores que conquistaram produção em escala.
Para o presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, essa transformação já começou acontecer. Algumas cooperativas já iniciaram parcerias entre si para redução de custos operacionais. Citou como exemplo as cooperativas que produzem insumos para ração. Elas firmaram parceria com cooperativas menores que produzem o milho. A cooperativa maior garante a compra do milho e com isso garante a ração para produtores integrados.

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