Técnico alerta para risco do milho transgênico
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de abril de 2002
Denise Angelo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O descobrimento da existência de soja transgênica no Paraná está levando ambientalistas a fazerem um alerta sobre a possibilidade de existência de milho modificado geneticamente nas lavouras paranaenses. Segundo o coordenador da Organização Não Governamental (ONG) Assessoria e Serviços a Programas em Agricultura Alternativa (ASPPA), José Maria Tardim, ainda não existem denúncias, mas na Argentina 70% do milho plantado hoje já são transgênicos. A apreensão do grupo é que sementes desse milho estejam entrando no Brasil, como aconteceu com a soja modificada.
Trata-se da espécie de milho conhecida como Branco Puro (BP). Para que o cereal se tornasse mais resistente ao ataque das lagartas, foi inserido no seu material genético um gen da bactéria bacilus turringensis. Essa bactéria produz uma toxina que é letal para determinadas lagartas. Na lavoura, quando a lagarta ataca o milho, morre por causa do efeito dessa toxina. Só que essa toxina afeta também outros insetos e pode provocar um desequilíbrio ambiental, diz Tardim.
Segundo ele, também não se conhece o efeito da substância no metabolismo humano e de outros animais que consomem milho. É o caso das vacas leiteiras, cujas rações são feitas basicamente a base de milho e soja. Tardim considera que essa toxina pode acabar contaminando o leite. Existe ainda a preocupação com ovos e a própria carne, já que rações dadas a frangos, bovinos e suínos também têm grande quantidade de milho na sua composição.
Outro ponto que preocupa os ambientalistas é que as empresas que desenvolvem este tipo de semente transgênica utilizam marcadores de resistência a antibióticos. Nosso medo é que esses marcadores tornem o corpo humano também resistente aos antibióticos, explica.


