O produtor de milho precisa de informação e cautela para vender bem a sua safra este ano. O conselho é do economista e consultor da Safras & Mercados, Paulo Roberto Molinari, que falou ontem à noite em Londrina no seminário ‘‘Formação de preço de milho em decorrência das mudanças cambiais. O evento foi promovido pelo Sindicato Rural de Londrina.
Segundo Molinari, o quadro de oferta e demanda do grão no País está bastante ajustado para este ano, mas as indefinições na economia brasileira dificultam previsões para o mercado. Ele observou que no Paraná, a safra que está sendo colhida deve ter uma quebra de 12%. O consultor observou que esta semana que antecede o Carnaval, os preços ainda devem permanecer nos atuais patamares. Ontem, na região de Londrina, a saca de 60 kg variou entre R$ 7,60 e 8,00 ao produtor. ‘‘quem tem necessidade de fazer caixa, deve aproveitar este momento em que os preços ainda oferecem liquidez’’, disse.
Molinari observou que após o Carnaval, com o aumento da velocidade da colheita e da ofertas, a tendência é de que os preços recuem. ‘‘Quem tiver condições é melhor aguardar melhores preços, que devem ocorrer entre abril e junho’’, disse. Ele prevê que nestes meses, a saca de 60 kg deve ficar entre R$ 9,10 e R$ 10,00 no mercado de lotes.
O consultor explicou que neste período, por uma questão de logística, o sistema de transporte estará praticamente todo voltado para a movimentação da safra de soja. Isso deverá encarecer o transporte do milho, e quem estiver melhor localizado, próximo dos centros consumidores, terá preços melhores. ‘‘No ano passado, entre abril e junho, a indústria já tinha importado milho da Argentina para suprir sua demanda, mas este ano, com desvalorização do real, dificilmente a indústria irá fazer importações’’, afirmou.
Mesmo com a sinalização de bons preços, o consultor aconselha aos produtores que vendam quando as cotações cobrirem seus custos de produção e lhes proporcionarem algum lucro. Ele observou que muitas vezes os produtores deixam de fazer bons negócios esperando sempre um preço melhor, mas se esquecem que todo mercado tem um limite de preços. ‘‘E neste momento de indefinições, o produtor precisa ficar informado e avaliar os acontecimentos para decidir a melhor hora de vender’’, disse.
Segundo Molinari, se a indústria de frangos e suínos não conseguirem repassar as altas que o preço do farelo de soja e do milho sofreram, estes setores provavelmente reduzirão a produção e consequentemente a demanda pelo grão. Mas por outro lado, se o consumo de carne bovina diminuir, com a queda do poder aquisitivo do trabalhador, haverá uma migração para o consumo frango e ovos, aumentando a produção destas proteínas, e consequentemente o consumo de milho, sustentando o mercado.
O consultor não acredita que este ano, com a desvalorização do real frente ao dólar, o País exporte milho em grão. ‘‘O que deve acontecer é um aumento das exportações de derivados de milho ou o grão transformado em proteína animal, como frango e suínos’’, observou. Ele acredita que a indústria venha pagar um sobrepreço para garantir abastecimento do mercado interno.
Para o segundo semestre, o consultor afirmou que o mercado de milho ainda depende de muitas variáveis para ter uma melhor definição. A primeira, segundo ele, é a taxa de câmbio. ‘‘Ninguém sabe como irá ficar, se sobe ou se cai’’, disse. O resultado da safrinha também é fator determinante para o comportamento do mercado no segundo semestre. ‘‘Se o resultado for bom como em anos anteriores os preços podem cair. Mas a safrinha é uma lavoura de alto risco’’, comentou.

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