Técnica e gestão para atingir resultados
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segunda-feira, 24 de janeiro de 2011
Victor Lopes <br>Reportagem Local 
Falta de resultados, dificuldades para encontrar profissionais capacitados, reclamações sobre o mercado competitivo e até da política macroeconômica brasileira. Essas são algumas justificativas de parte do empresariado quando os negócios - independentemente do segmento - não dão a rentabilidade esperada. Entretanto, na maioria das vezes, os empecilhos não estão fora da empresa, mas no desconhecimento da própria metodologia de trabalho, na qual os empresários não conseguem ou têm dificuldades de identificar.
É dessa maneira que Lydia Santa Rosa, especialista em Gestão de Processos e graduada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia esse cenário. Professora convidada da Fundação Dom Cabral (FDC), ela esteve em Londrina recentemente ministrando um curso da Paex (Parceiros por Excelência) - braço da FDC, Em entrevista à FOLHA, Lydia ressalta a importância do empresariado planejar, através de uma metodologia consistente, qual a direção que se deve seguir. E apontou quem não utiliza tais métodos provavelmente fracassará nos negócios.
Segundo a professora, geralmente as empresas pecam porque não seguem uma diretriz, um foco, ou planejamento do que vai ser feito. ''É preciso avaliar aonde se quer chegar, que nicho se vai trabalhar. O negócio pode até dominar um mercado, mas se não houver uma boa gestão de pessoas, financeira, estratégica, de processos, ele não vai atingir resultados significativos'', afirma a professora. Na prática, é preciso associar dois mundos que se complementam: o da ''expertise'' (técnica) e o da gestão. ''Há uma diferença muito grande em ser um ótimo profissional e saber gerenciar a empresa'', complementa ela.
Em relação ao mercado de trabalho, Lydia alerta os empresários que vislumbram solucionar entraves internos trazendo mão de obra especializa (e cara) de outras empresas. ''Muitas vezes os empresários esquecem que por mais expert que seja o contratado, para ocupar uma função específica de salário alto, no momento que aquele empregado chega, é igual a um trainee. Já que ele não conhece os processos daquela empresa''.
Mesmo com esses ''pecados'' cometidos, a especialista enfatiza que os negócios evoluíram muito do final da década de 1980 para cá. Ela comenta que, de forma geral, o empresariado brasileiro ''acordou'' para a gestão, método e disciplina, sem precisar pular etapas do processo. ''Isso se aplica mais para grandes empresas, apesar de hoje ser difícil alguem abrir um pequeno negócio sem orientação. Antes, se tratava de gestão para se tornar mais competitivo, hoje, é uma questão de sobrevivência''.


