Guto Rocha
A mudança no sistema de plantio de café no Paraná propocionou, além da participação de pequenos produtores na atividade, ganho de qualidade da bebida, que sempre teve fama de ser inferior ao produto colhido em outras regiões do País. Segundo o engenheiro agrônomo do Departamento Nacional de Café (Denac), Francisco Barboza Lima, dois fatores no sistema adensado são determinantes para a garantia de melhor qualidade para o café: a colheita e a secagem do produto.
Lima explicou que com o adensamento da lavoura a colheita tem de ser feita obrigatoriamente no pano, evitando contato com a terra. ‘‘A derriça no chão foi abolida com o café adensado’’, observou. Outra prática que garante maior qualidade do produto é a realização da colheita em duas ou mais etapas. ‘‘Desta forma, o cafeicultor colhe mais café maduro, que é matéria-prima de qualidade’’, afirmou.
Outra mudança que o adensamento da lavoura trouxe foi o método empregado na secagem do produto. Barboza Lima afirmou que os produtores estão adotando o terreiro suspenso de sombrite. ‘‘Com este terreiro, o produtor tem a possibilidade de cobri o café em caso de chuva, o que é bastante comum no Paraná durante a colheita’’, observou. O agrônomo observou que a umidade fermenta o produto, baixando sua qualidade.
Com qualidade, o produtor consegue resultados melhores, e tem mais espaço no mercado. Lima afirmou que no primeiro semestre deste ano, o café de qualidade, (bebida dura, tipo 6) apresentou preços superiores ao produto de baixa qualidade na ordem de R$ 20,00 a R$ 50,00/saca. ‘‘Só com esta diferença de cotação o agricultor consegue cobrir seus custos na lavoura’’, comentou.
O agrônomo do Denac afirmou que os custos de produção no adensado são maiores por hectare em relação ao sistema tradicional, mas a alta produtividade que a tecnologia de plantio apresenta, garante um custo menor por saca de café. No sistema convencional, um hectare rende 17 sacas de 60 kg café beneficiado, enquanto no adensado, o produtor pode colher 47 sacas/ha.

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