Tecidos enfrentam concorrência da confecção
Teias de aranha importadas de Cingapura. Essa era a resposta em tom de brincadeira que Chafic Burian dava a quem entrava em sua loja e achava estranho um estabelecimento, com tecidos tão finos, ter teias de aranha pelas paredes. Falecido em 1997, a história de Burian é recontada por Dirceu Pantoja, que trabalha no Chafic Tecidos há quase 30 anos como gerente. ''Não sou gerente, sou amigo da casa'', prefere Pantoja
Com cerca de 40 anos, a loja mudou algumas vezes de endereço, mas desde 91 está na Avenida Duque de Caxias com Pará, e é tocada por quatro filhos de Burian. Elaine Burian, que está todos os dias no estabelecimento, fala das dificuldades que existe para trabalhar com tecido, numa época em que as pessoas preferem a confecção. ''Vem caindo à procura. Hoje, precisamos fazer tudo com muita cautela. Temos que acertar na compra e na venda'', comenta ela, que mantém 12 pessoas trabalhando na loja. O estabelecimento já chegou a ter 45 funcionários.
Para Dirceu Pantoja, ''pano é paixão, é tradição.'' ''Quem tem dinheiro hoje não vai abrir uma loja de tecidos, mas de confecção. Pano sobrevive hoje por teimosia'', diz ele, contando que a crise econômica do país reflete no comércio. ''Se as coisas vão bem, vendemos bem. Hoje a carga tributária é alta e o gasto com funcionários é caro. Está díficil concorrer com a confecção'', argumenta. (V.B.)





