Uma guilhotina de quase 10 toneladas. Esta foi a primeira carga desembaraçada neste ano no Terminal de Logística de Carga (Teca) do Aeroporto Governador José Richa, em Londrina. O equipamento foi importado da Alemanha pela Midiograf, empresa do ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Nivaldo Benvenho. A guilhotina saiu do Porto de Paranaguá na última sexta-feira, via rodoviária, dentro de um contêiner lacrado. Ela foi nacionalizada em Londrina ontem e só não foi liberada para a empresa por falta de uma vistoria do Ministério da Agricultura, que deve ser feita na manhã de hoje.
A importação da máquina foi um teste que o empresário se dispôs a fazer na tentativa de descobrir as razões pelas quais o Teca praticamente não é utilizado. Segundo o auditor da Receita Federal Evandro Oliveira Calvo nenhuma outra carga foi nacionalizada no terminal em 2013. "Desembaraçamos apenas quatro ou cinco aviões de particulares que vieram dos Estados Unidos", conta.
O superintendente da Infraero em Londrina, Marcus Vinícius Pio, diz que a experiência da guilhotina foi um "laboratório" para entender como funciona o processo de importação e quais os entraves e gargalos existentes. "A proposta foi feita (por Benvenho) numa reunião entre a Infraero, a Receita, a Acil e a Codel (Instituto de Desenvolvimento de Londrina) para discutir o Teca", conta.
O auditor da Receita explica que a carga da Midiograf "caiu no canal verde" - situação em que a fiscalização pelo órgão é feita apenas na documentação. E, por isso, a liberação foi mais rápida. "Quando cai no vermelho, temos de fazer a análise documental e também a física", afirma. De acordo com ele, as informações sobre a carga são inseridas no sistema que, a partir de parâmetros já definidos, decide qual o nível de vistoria será feita.
Segundo Calvo, a análise do Ministério da Agricultura é necessária porque a guilhotina veio dentro de paletes de madeira. "Se houver indícios de alguma praga, é preciso fazer a fumigação", diz ele.
Para Nivaldo Benvenho, a experiência foi "muito positiva". "Queríamos entender por que o Teca nunca deslanchou. Resolvemos testar. A Receita abraçou a causa e não mediu esforços para realizarmos a importação por aqui", justifica Benvenho. Ele também ressalta que a Infraero colaborou ao flexibilizar as tarifas, tornando competitiva a opção de desembaraço por Londrina.
De acordo com o empresário, "onde passa um boi passa uma boiada", e assim outras empresas podem se utilizar do Teca com o mesmo sucesso que ele. Para Benvenho, cabe aos empresários mudarem hábitos e optarem pela nacionalização de cargas no Teca de Londrina. "Eles têm de convencer os despachantes que estão habituados a operar por Paranaguá e Curitiba", ressalta. O empresário lembra que o ICMS da carga foi recolhido em Londrina e que parte do imposto ficará no município.
O superintendente da Infraero confirmou a flexibilização da tabela de tarifas. "Estamos com os valores mais baratos do País. Quem quiser importar por aqui vai utilizar dessas tarifas mais baixas", garante Pio.

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