TCU vê falhas no uso do FAT no Paraná
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terça-feira, 19 de novembro de 2002
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) apontou falhas na aplicação de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) pela Secretaria de Estado de Emprego e Relações do Trabalho (Sert) do Paraná no Plano Estadual de Qualificação (PEQ), nos exercícios de 2000 e 2001. As irregularidades referem-se, entre outras coisas, à dispensa de licitação, pagamento de taxa de administração em contrato, pagamento de despesas realizadas em períodos anterior e posterior a termos de convênio, celebração de contrato quando caberia convênio e fracionamento de procedimento licitatório.
De acordo com o ministro relator do processo, ''as faltas decorrem, em sua maior parte, da fragilidade no sistema de operacionalização adotado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para descentralizar os recursos do Plano Nacional de Qualificação do Trabalhador (Planfor) aos Estados e da liberdade concedida a entidades conveniadas ou contratadas para a execução das respectivas ações''.
Entre as irregularidades descritas no relatório do TCU está o pagamento de R$ 689,9 mil que não estavam previstos nos contratos com entidades que oferecem cursos profissionalizantes. As contratações das entidades executoras do PEQ 2000 e PEQ 2001, foram feitas por meio de processo de dispensa de licitação. A auditoria acusou, inclusive, a contratação de instituições de iniciativa privada, que não têm por objeto a realização de cursos.
Segundo o relatório do TCU, para fugir do processo licitatório, uma despesa de R$ 28,2 mil referente à compra de uniformes para alunos participantes do Projeto Serviço Civil Voluntário (integrante do Planfor 2000) foi diluída entre as universidades estaduais de Londrina, Maringá, Guarapuava e Cascavel, de forma que o valor a ser pago por cada instituição fosse inferior ao limite legal para realização de carta convite.
Outra irregularidade apontada no relatório foi a celebração de contratos em valor superior ao orçamento aprovado para o exercício de 2001 para o PEQ. ''Mesmo considerando o rendimento de R$ 463 mil relativo à aplicação financeira dos recursos, houve contratação sem orçamento, pois o valor orçado para o Planfor, em 2001, foi de R$ 19.010.000,00 e o valor contratado, até o término da presente auditoria, já havia atingido a cifra de R$ 19.824.734,67 - caracterizando descumprimento da Lei nº 4.320/20'', descreve o documento.
No caso do escritório regional da Sert em Cascavel, a auditoria concluiu que houve pagamento indevido e superfaturamento na confecção de apostilas destinadas aos cursos profissionalizantes do projeto Serviço Civil Voluntário da Unioeste. Pelo menos R$ 12,6 mil teriam sido pagos irregularmente.


