O Tribunal de Contas da União (TCU) fará uma auditoria operacional em todo o sistema elétrico para analisar as causas da crise de energia e propor soluções para evitar novos racionamentos. Requerimento do ministro Humberto Souto, presidente do Tribunal, foi aprovado esta semana e os técnicos começam a trabalhar no começo de junho. O TCU também quer preparar um diagnóstico dos cenários de fornecimento de energia no médio e longo prazos, incluindo os reflexos econômicos e sociais dessa situação.
No texto do requerimento apresentado aos ministros do TCU, o presidente Humberto Souto faz críticas indiretas à demora do governo para agir, lembrando que a imprensa vem noticiando o risco de falta de energia e o baixo nível no reservatório das hidrelétricas desde o início do ano passado.
‘‘Cortes de energia nesse patamar (20%) só têm paralelo em países em guerra’’, afirma Souto.
O ministro também inclui em seu requerimento observações sobre a capacidade que o sistema elétrico brasileiro tem para armazenar água suficiente para gerar energia por três ou até quatro anos. Humberto Souto diz que essa precaução é necessária em qualquer sistema baseado na geração hidrelétrica, por causa das variações nas chuvas.
A auditoria acabará ressuscitando uma discussão que o governo vem evitando a todo custo: de quem é a culpa pela demora em tomar as medidas preventivas à crise? Nas entrevistas da CGCE, sempre que são perguntados sobre as falhas na assessoria ao presidente Fernando Henrique Cardoso, os integrantes da Câmara respondem que estão discutindo a melhor maneira de lidar com a situação atual e o que fazer para evitar o mesmo problema no futuro. As falhas do passado ficam para depois.
O trabalho do TCU deve se sobrepor ao grupo criado pela CGCE, que tem a mesma função. Os técnicos do governo terão dois meses para chegar a suas conclusões.

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