Curitiba -O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou um documento que aponta que o comércio internacional brasileiro pode sofrer graves implicações devido as falhas da vigilância no trânsito de produtos agropecuários no País. O relatório do TCU assinado pelo ministro Benjamin Zynler, mostra que há falta de pessoal para fiscalização nos portos, aeroportos e postos de fronteiras e que os laboratórios de análises que têm como objetivo impedir a entrada de pragas e doenças estão com infra-estrutura precária. Além disso, o governo federal gastou menos dinheiro do Orçamento do que o previsto para a área de vigilância na exportação e importação de mercadorias.
O TCU apontou que entre fiscais federais agropecuários agronômos e veterinários, agentes de inspeção e agentes administrativos, o Paraná tem um número atual de 49 pessoas, mas o ideal seria mais que o dobro, ou seja, 114 funcionários para atuarem em Foz do Iguaçu, em Paranaguá e no Aeroporto Internacional Afonso Pena, localizado em São José do Pinhais.
Além disso, o governo federal fez previsão de investir em 2005 R$ 5,1 milhões no Programa de Vigilância Agropecuária Internacional (Vigiagro). No entanto, só conseguiu aplicar R$ 3,3 milhões e os gastos efetivos atingiram apenas R$ 1,2 milhão.
O Ministério da Agricultura assume que o número de funcionários está defasado. Segundo o ministério, existe a deficiência orçamentária, de infra-estrutura e de pessoal mas, o trabalho para melhorar esta situação vem sendo realizado. Nos últimos cinco anos, o ministério fez concurso para 900 fiscais atuarem na vigilância agropecuária, no entanto, até agora, começaram a trabalhar apenas 122 no País.
Com este cenário, os problemas sanitários e fitossanitários têm sido utilizados para impor barreiras aos produtos brasileiros no exterior. ''O que o TCU aponta são as causas do problema'', disse o economista do Sindicato das Indústrias de Carnes do Paraná (Sindicarne-PR), Gustavo Fanaya. Para ele, o tribunal mostra a incompetência do ''não gasto do dinheiro público''. ''O governo está gerando sobra de dinheiro ao custo de criar um risco, um dano fitossanitário'', destacou.
Para ele, o ressurgimento da aftosa no Brasil ''não foi obra do acaso mas do não investimento de recursos''. Fanaya comentou ainda que a culpa não é do Ministério da Agricultura mas do Planejamento e da Fazenda.

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