O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central promoveu, ontem, a sétima redução do ano na Taxa Básica do Banco Central (TBC). Na última reunião do Copom antes das eleições, a TBC passou de 19,75% ao ano para 19%. No caso da Taxa de Assistência do Banco Central (TBAN), no entanto, houve uma elevação, e taxa foi de 25,75%, ao ano, para 29,75%. As novas taxas vigoram até o dia 7 de outubro, data prevista para a próxima reunião.
Essa foi a primeira vez que o Copom mexeu de forma diferente nas taxas. Tanto a redução da TBC como o aumento ou até a manutenção da TBAN, no entanto, foram cogitados no mercado. Com o alargamento do intervalo, o BC indica o limite dos juros. Ou seja, estabelece a faixa de flutuação das taxas em períodos de turbulência do mercado, sem que seja necessária uma intervenção do governo. Com a nova TBAN, também indica que quem precisar recorrer ao Banco Central tomando dinheiro emprestado pagará mais caro. Esse intervalo já chegou a 12 pontos porcentuais e, em março, estava em dez pontos.
Mesmo com o recrudescimento da crise dos mercados financeiros, a redução da TBC era esperada por analistas econômicos, Isso porque, desde o agravamento da crise da Rússia, há duas semanas, o governo vinha emitindo frequentes sinais ao mercado de que a política de queda gradual dos juros básicos não seria alterada.
Momentos antes do início da reunião do Copom o presidente Fernando Henrique avisava que os juros cairiam um pouco mais. Além destes sinais, o Banco Central também já vinha praticando uma taxa anual de 19% nas operações de um dia com o mercado. Ou seja, no overnight. Com isso, as estimativas do mercado eram de redução da TBC para um patamar entre 18,75% e 19,25% ao ano. Em relação à TBAN, no entanto, esperava-se o alargamento da banda dos juros.
Em meio à crise internacional, a preocupação do governo em relação ao déficit público tornou-se mais acentuada e este também foi um principais aspectos considerados para a redução dos juros. Nas análises de especialistas internos e externos, por exemplo, o déficit é sempre citado como uma das fragilidades da economia brasileira. Com a redução da TBC, há um pequeno alívio no peso dos juros que hoje são incorporados à dívida pública. E, assim, o governo passa a idéia, principalmente no mercado internacional, que está agindo na busca de um equilíbrio fiscal.

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