Agência Estado
De São Paulo
A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter o juro básico estável em 19,50% ao ano, semana passada, não significa uma interrupção da tendência de queda das taxas. ‘‘É inevitável uma continuidade de queda dos juros’’, afirma Luís Eduardo de Assis, diretor da HSBC Asset Management.
Em sua análise, os juros retomarão a tendência de baixa ‘‘para pavimentar o caminho da recuperação econômica’’. A opção pela estabilidade do juro básico, na última reunião do Copom, refletiu apenas a necessidade do Banco Central de ter uma idéia mais clara da inflação. Ou para ganhar tempo e avaliar o possível impacto da aceleração do dólar sobre a inflação, como explicou o diretor de Política Econômica do BC, Sergio Werlang.
Assis comenta que o curto espaço de tempo até a próxima reunião do Copom, dia 22, também jogou a favor do BC. ‘‘É possível apostar em uma queda do juro nessa reunião’’, afirma, e é com a expectativa de juros declinantes que ele indica os fundos de renda fixa tradicionais como a melhor opção de investimento. As taxas de juros estão bastante elevadas no mercado futuro em cenário de juro cadente, explica. ‘‘É por isso que os fundos de renda fixa tradicionais podem render mais que os fundos DI’’, comenta. Segundo o diretor do HSBC, o juro futuro, referência para a definição de rendimento das aplicações, está projetando taxa em torno de 24% para o fim do ano. A tendência, em sua previsão, é que ela recue e fique abaixo de 19,50%, nível do juro básico de momento, em dezembro.
A expectativa, se materializada, favorece os fundos de renda fixa. Haveria, nesse caso, desvantagem para os fundos DI, cuja rentabilidade acompanha o juro que roda no mercado.
O cenário desenhado pelo diretor do HSBC para o mercado financeiro é de continuidade de tensão até que o governo consiga tocar a votação de três propostas básicas: a lei de responsabilidade fiscal, a minirreforma da Previdência e a reforma tributária. ‘‘Alguma coisa precisa ser aprovada para que o governo reconquiste a confiança, principalmente do capital estrangeiro.’’
Até que isso ocorra, Assis considera as ações investimento de alto risco. Ele tampouco sugere o refúgio no dólar, cujo ‘‘preço está bastante elevado, embora as razões que alimentam a pressão sobre o câmbio continuem’’.

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