Curitiba - O valor das taxas administrativas é a principal reclamação dos moradores em condomínios. As dúvidas sobre cobrança representaram quase 80% dos 398 atendimentos sobre condomínios feitos pela Coordenadoria de Defesa e Proteção do Consumidor (Procon) de janeiro a abril deste ano.
Segundo os dados do Procon, dos 398 problemas levados ao órgão, 286 eram de dúvidas de cobrança e outros 25 de cobrança de taxa indevida. Para o presidente da Associação de Condomínios do Batel (Acbatel), Paulo Nascimento, todos os problemas financeiros dos condomínios podem ser resolvidos com um planejamento adequado. ‘‘Na maioria dos casos, falta um planejamento de médio e longo prazo. Se um um prédio vai ser revestido com pastilhas, por exemplo, é preciso saber que a cada cinco anos é preciso fazer limpeza, o que acarreta custos’’, observa.
A Acbatel promoveu, no dia 16 de abril, o III Encontro de Síndicos, onde foram discutidos formas de reduzir as taxas de condomínios. Segundo Nascimento, um dos principais excessos dos gastos está na hora extra dos funcionários. ‘‘Da forma como são montadas as escalas, os serviços de mão-de-obra são onerados muito por causa das horas extras, que acarretam em outros custos trabalhistas. Hoje, para cada R$ 1 pago ao funcionário do condomínio, é preciso desembolsar outros R$ 1,20 para pagar os encargos’’, observa.
Segundo Nascimento, é muito comum o condômino questionar uma taxa. ‘‘Normalmente não é feita a previsão de gastos, muito menos prestação das contas.’’ Para ele, o papel desempenhado pelo síndico é fundamental para haver redução de gastos. ‘‘Mas como ninguém quer ser síndico, porque acha que é um pepino, o edifício contrata uma administradora para assumir essa função, o que é um erro’’, avalia. ‘‘O pessoal da administradora não mora no prédio, não sabe como é o dia-a-dia e nem se importa com o que é preciso pagar, porque não sai do bolso dele’’, acrescenta.
Há formas simples de diminuir gastos, como o costume de fazer a leitura de água e luz diariamente, informa Nascimento. ‘‘É interessante fazer uma média do consumo nos últimos seis meses, para ver se não há explosão de consumo. Com isso, o síndico, ou um porteiro bem preparado, pode verificar se ocorreu um vazamento, por exemplo’’, diz.
Em relação aos gastos com gás, ele aconselha pesquisa constante de preços. ‘‘A diferença no preço dos botijões é assustadora. Já fiz uma pesquisa em que encontrei seis preços diferentes e havia diferença de até 20%. O condomínio se acostuma a comprar de uma empresa e acaba esquecendo de ver o que a concorrência oferece’’, completa Nascimento.

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