Taxas poderão subir, diz Malan
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, anunciou ontem que o Brasil adotará novas medidas de ajuste fiscal, que serão discutidas, nas próximas semanas, internamente e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Banco Mundial (Bird) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele também indicou que as taxas de juros poderão eventualmente subir para manter a inflação sob controle e só serão reduzidas a médio e longo prazos, à medida que seja adotado o programa do governo para equilibrar as contas públicas.
Num comunicado que divulgou ontem, no seu terceiro dia de reuniões com a cúpula do FMI em Washington, Malan disse que recomendou ao Comitê de Política Econômica (Copom) a ampliação da banda na qual flutuam as taxas de juros. O objetivo, diz o documento, é permitir a adoção de uma política de juros, com o viés ascendente inicial que venha a ser necessário para preservar a inflação sob controle.
A idéia, explicou depois Malan, é elevar o teto e baixar o piso da banda. Ao falar na ampliação no comunicado, cujos pormenores foram discutidos ontem de manhã com o diretor-gerente do FMI, Michel Camdessus, o ministro estará atendendo a duas expectativas contraditórias. Por um lado, os credores externos querem que as taxas se mantenham altas para impedir o retorno de uma inflação alta, que anule os efeitos da desvalorização do real. Já os empresários e governadores brasileiros estão pressionando por uma redução o quanto antes.
Malan, que só rompeu o silêncio depois de obter o apoio público do FMI e do Bird à nova política cambial brasileira, adotada na sexta-feira passada - não quis adiantar quais serão as novas medidas fiscais que planeja adotar. Tampouco quis medir o impacto da desvalorização do real, de cerca 30%, sobre os títulos do governo, cuja remuneração é indexada ao dólar. No total, representam R$ 67 bilhões.
O motivo para o silêncio de Malan sobre essas questões e outras duas (a previsão de crescimento da economia brasileira e os termos de renegociação do programa que o Brasil acertou com o FMI, antes de deixar o real flutuar livremente) é um só: ele ainda não sabe qual será o câmbio da moeda, quando os mercados se estabilizarem. É muito cedo para dizer no segundo dia de operação do novo sistema.
Apesar de não poder prever qual será a cotação do real, que o mercado definirá, Malan reagiu ao aumento do câmbio registrado ontem, que num momento chegou chegou a US$ 1,60, quando na sexta-feira passada ficara em US$ 1,46. Sem mencionar a movimentação nas bolsas, ele fez questão de repetir, diversas vezes, que o Brasil não tem nem terá uma banda escondida, virtual, ou implícita. Ou seja, um limite imposto pelo governo e mantido em segredo, para determinar em que momento o Banco Central intervirá para limitar uma excessiva desvalorização.France PresseQuestão delicadaMalan durante entrevista ontem, em Washington: câmbio livre não permite queda imediata dos jurosAgência Estado





