O volume total de crédito do sistema financeiro (recursos livres e recursos direcionados) atingiu em junho deste ano R$ 3,130 trilhões contra R$ 1,830 trilhão em junho de 2008 - um crescimento de 71% no período. Este volume representa hoje 46,8% do PIB (Produto Interno Bruto) contra 36,5% em junho de 2008. O volume de crédito no segmento de recursos livres (que as instituições financeiras emprestam livremente) atingiu R$ 1,640 trilhão em junho deste ano contra R$ 597,8 bilhões há dez anos - aumento de 174,4% no período.

Os números fazem parte de um balanço divulgado nesta terça-feira (25) pela Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). O estudo compreendeu os cinco principais indicadores de crédito compilados do relatório de Política Monetária do Banco Central. Três sofreram piora (taxas de juros, spreads bancários e inadimplência) e dois apresentaram melhora (volume de crédito e prazo dos financiamentos).

As taxas de juros de pessoa jurídica atingiram na média 20,2% ao ano em junho deste ano contra 26,6% há dez anos. Já, na pessoa física, chegaram numa média de 53,2% ao ano contra 49,1% de 2018. O spread bancário (diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas de juros cobradas dos clientes) foi de 11,8% para as empresas no último mês de junho. E era de 13,9% há dez anos. Já para as pessoas física cresceu de 34,7 para 43,5%.

Em relação aos prazos de financiamento para pessoa jurídica, agora os bancos concedem em média 26,9 meses. Antes, só aprovavam financiamento em dez meses. Na pessoa física, o prazo médio atingiu 54,6 meses em junho deste ano, contra apenas 15,4 meses há dez anos.

Por último a inadimplência das empresas aumentou de 1,7% para 3,8% e das pessoas físicas baixou de 7% para 5%. "De fato as condições de crédito melhoraram em termos de volume, mas ainda é pouco", diz o diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira. Segundo ele, nas principais economias internacionais o volume chega a 100% do PIB. Ele ressalta a boa melhora nos prazos de financiamento. "O crédito habitacional chegava a 15 anos em 2008, mas o padrão eram dez anos. Hoje, são 30 anos, podendo atingir 35 anos", conta. De forma geral, avalia do diretor, as condições de crédito estariam bem melhores não fosse a crise econômica.

O consultor financeiro de empresas Maicon Putti, da Ideia Consultoria, diz ser surpreendente que as taxas de juros de pessoa física e jurídica tenham se mantido no mesmo patamar no período. Quando se considera as duas categorias juntas, passaram de 38% ao ano para 38,5%. "É surpreendente que isso tenha ocorrido mesmo o País passando por inflação, alta de dólar, inadimplência", afirma.

Ele ressalta também o fato de o spread das pessoas jurídicas ter caído. "Os ganhos dos bancos caíram devido à competitividade no mercado. Players internacionais, nacionais, públicos e cooperativas brigam por participação no mercado", declara. Putti também destaca o aumento do prazo para financiamento. "Quanto mais longo, melhor para quem empresta e para quem capta o recurso", alega. O aumento da inadimplência, segundo o consultor, demonstra a "falta de caixa e previsibilidade financeira das empresas. Os orçamentos previstos não batem com a realidade, havendo um descompasso do caixa", ressalta.

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