A discussão sobre os cartões de crédito e as operadoras do serviço demorou para acontecer. E algumas mudanças são bem vindas. Entre as inovações está a que indica que, a partir de junho de 2010, as máquinas usadas nas transações de crédito e débito poderão ser utilizadas por todos os cartões magnéticos. Esta possibilidade foi anunciada pelo vice-presidente do Banco do Brasil, Paulo Rogério Caffarelli, durante audiência pública realizada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Desenvolvimento Econômico Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados na quarta-feira. Mas além do uso compartilhado das maquinas, é preciso reduzir as taxas cobradas eu estão entre as maiores do mundo.
Com a crise econômica que ainda está afetando um número muito grande de empresas brasileiras, o empresário, principalmente os lojistas, donos de postos de combustíveis ou prestadores de serviço, ficam sempre num dilema. Aceitar pagamento pelo cartão e sofrer com as taxas cobradas pelas operadoras; receber em cheque a vista ou pré-datado e correr o risco do documento ser um daqueles que retornam para a caixa registradora sem fundo; pagamento em dinheiro ou por meio de boleto bancário.
De todos eles o pagamento com cartão é o mais prático. Donos de postos de combustíveis sabem disso. Em todas as grandes cidades o postos são alvos fáceis de assaltantes que levam o dinheiro que está no caixa. Eles também são vítimas dos cheques sem fundos. Não há dono de posto com mais de um ano na atividade que não tenha uma quantidade razoável de ''voadores'' nas mãos. Em alguns casos mais graves, o número de cheques sem fundo chega a 20% do total recebido.
Por isso a preferência deles pelo pagamento com o cartão. ''O cartão dá mais segurança para o empresário porque ele tem a garantia do recebimento. Porém, o problema são as taxas cobradas pelas operadoras de cartão que variam de 3% a 4%. Como praticamente não há concorrência, as taxas não baixam. Além de pagar um valor expressivo, as empresas ainda são obrigadas a esperar, em média, 40 dias, para receber, afetando o capital de giro das empresas'', diz o presidente do Sescap-Ldr Marcelo Odetto Esquiante.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Crédito e Serviços, os mais de 500 milhões de cartões existentes no Brasil movimentaram R$ 375,4 bilhões em mais de cinco bilhões de transações de débito e crédito no ano passado. Visa e Mastercard, líderes do mercado brasileiro detém 89% das transações de crédito.
O deputado André Vargas (PT-PR) é membro da Comissão de Finanças e Tributação diz que é preciso encontrar caminhos para evitar a concentração e a falta de concorrência no segmento dos cartões. ''Estamos num sistema em que o custo do monopólio é muito grande e quem paga a conta é o consumidor. Também não queremos um sistema extremamente regulado que traga prejuízos às empresas'', afirma o deputado.
André Vargas destaca ainda que é preciso reduzir o prazo para que aos lojistas recebam o dinheiro creditado sem que o consumidor seja prejudicado. ''O foco tem que ser no consumidor, que deve usufruir das vantagens que o crédito proporciona como efetuar uma compra e começar a pagá-la 30 dias depois'', esclarece.
''A concorrência é bem-vinda em todos os setores e governo não pode permitir que este monopólio branco continue. A economia brasileira voltou a crescer e o cartão de crédito, hoje, é um mecanismo essencial na relação de compra e venda'', afirma Esquiante.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e
Contabilidade de Londrina (Sescap-LDr)

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