Taxas de risco e juros devem cair
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quinta-feira, 26 de junho de 1997
Agência Estado Brasília 
A redução dos juros do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai permitir empréstimos com taxas próximas aos juros internacionais, já a partir de agosto, garante o ministro do Planejamento, Antônio Kandir. Já tínhamos reduzido a TJLP, que define os juros cobrados pelo BNDES, e agora vamos reduzir o spread do banco, disse o ministro. O spread, a taxa de risco cobrada pelo BNDES, vai cair da faixa de 2,5% a 6% ao ano para cerca de 1%, anunciou Kandir. O BNDES vai também ampliar os empréstimos contratados diretamente, sem intermediação dos bancos.
A queda anunciada por Kandir vale somente para os contratos feitos diretamente com o BNDES, que costuma restringir os empréstimos a grandes empresas. Para os outros interessados, é necessário negociar com agentes financeiros, que cobram uma comissão - o del credere - que eleva o custo do empréstimo.
O del credere, antes fixado pelo BNDES, foi liberado pelo governo, o que pode baratear o custo para clientes preferenciais dos bancos e aumentar o de outras empresas. As empresas que pagarão juros mais altos sairão ganhando mesmo assim, porque antes nem tinham acesso às linhas do BNDES, argumenta um técnico do banco.
Segundo calcula a equipe do Ministério do Planejamento, empresas de primeira linha, classificadas como A pelas agências de avaliação de risco, poderão tomar empréstimos a taxas de 4,2% ao ano acima da inflação. Empresas semelhantes nos Estados Unidos que consigam pagar 0,5% acima da taxa dos bônus do Tesouro norte-americano têm empréstimos a juros de 4%. Com a queda no custo dos empréstimos, os juros padrão do BNDES ficarão em torno de 5,7% acima da inflação, afirma Kandir.
O principal objetivo desses empréstimos é aumentar a capacidade de exportação da indústria brasileira, igualando as condições encontradas no País às do mercado internacional, diz o ministro. O nome do filme é: estamos criando condições de melhorar a balança comercial, diz ele.


