Curitiba - As taxas de juros das operações de crédito voltaram a subir no mês de julho. É a terceira alta no ano, conforme pesquisa da Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). No mês passado, a taxa de juros média geral para pessoa física foi de 5,48% ao mês contra 5,45% em junho, atingindo 89,69% ao ano. Esta é a maior taxa de juros desde novembro do ano passado.
"É a terceira vez que acontece neste ano e (a alta) pode ser atribuída à última elevação da taxa de juros básica promovida pelo Banco Central", disse em nota o diretor executivo de estudos econômicos da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, em referência à recente alta da Selic, de 8% para 8,5% ao ano.
"Faz sentido os juros subirem, porque a taxa básica de juros da economia, a Selic, também subiu", confirma o consultor financeiro da Inva Capital, Raphael Cordeiro. Segundo ele, o Banco Central não teve outra saída para conter a inflação a não ser subir os juros. E ele prevê que as taxas fiquem ainda mais altas até o final do ano.
"A alta dos juros é um alerta para as pessoas pensarem na hora de contratar um empréstimo, principalmente no cheque especial e no cartão de crédito que têm as maiores taxas", destacou. Cordeiro recomenda ao consumidor fugir dos empréstimos e tentar buscar outras alternativas como, guardar dinheiro para comprar um bem à vista ou a maior parte em única parcela e até se desfazer de algo em casa para não ter que emprestar dinheiro.
Os juros do comércio subiram de 4,08% ao mês em junho para 4,10% em julho e os do cheque especial foram de 7,73% ao mês para 7,77%. Já em CDC a taxa subiu de 1,53% para 1,58% ao mês. Em empréstimo pessoal dos bancos, a taxa saiu de 3,04% em junho para 3,08% em julho e em empréstimo pessoal das financeiras foi de 6,96% ao mês para 6,99%. Já a taxa de cartão de crédito foi a única operação para pessoa física que se manteve estável, em 9,37% ao mês.
A taxa de juros média geral para pessoa jurídica subiu de 3,09% ao mês em junho para 3,13% ao mês em julho (44,75% ao ano), também a maior taxa desde novembro de 2012. Os três indicadores analisados apresentaram alta de junho para julho: capital de giro saiu de 1,48% ao mês para 1,52%; desconto de duplicata foi de 2,21% para 2,23%; e conta garantida foi de 5,58% para 5,65% ao mês.
Oliveira, da Anefac, ressalta que, apesar de "os atuais indicadores mostrarem pressões inflacionárias, bem como o fato do índice oficial de inflação estar bem acima do centro da meta do Banco Central, deveremos ter nova elevação da Selic na próxima reunião do Copom". Por essa razão, o diretor da instituição projeta que as taxas de juros das operações de crédito voltarão a subir nos próximos meses.
A Anefac aponta que, de junho de 2011 a julho de 2013, a Selic baixou de 12,5% ao ano para 8,5% ao ano. No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física baixou de 121,21% para 89,69% ao ano. Nas operações de crédito para pessoa jurídica, a taxa média passou de 61,03% para 44,75% ao ano. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Taxas de juros voltam a registrar alta em julho
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