Brasília - A mais cara das operações de crédito do sistema financeiro rompeu em junho a barreira da taxa de 140% ao ano. De acordo com os dados do Banco Central, o cheque especial registrou juro médio no mês passado de 139,7% anuais, ante 140,3% em maio.
''É a taxa mais baixa desde dezembro de 1999'', disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, reconhecendo, entretanto, que a taxa é de fato muito elevada e deve ser utilizada somente ''em último caso''.
O Banco Central registrou em junho um novo recuo nas taxas de juros cobradas das pessoas físicas e das empresas. A taxa média cobrada passou de 37,4% em maio para 37% em junho. Assim como no mês anterior, trata-se do menor patamar desde junho de 2000, quando foi iniciada a série histórica do Banco Central. Além disso, a autoridade monetária continua a registrar aumento no prazo dos pagamentos.
Apesar da queda nos juros, o spread - diferença entre o custo da captação das instituições financeiras e a taxa efetiva cobrada dos clientes- caiu em um ritmo menor, apenas 0,1 ponto, para 26,1 pontos percentuais.
As instituições financeiras têm reduzido as taxas de juros desde o início do processo de corte da taxa básica de juros, a Selic, iniciado em setembro de 2005, quando a taxa estava em 19,75% ao ano. Hoje, a Selic está em 11,5% ao ano.
Em relação aos prazos de pagamento, o período médio é de 329 dias, seis dias acima do registrado em junho. Esses são os maiores prazos já registrados. Para pessoas físicas, o prazo é de 405 dias e para as empresas, de 260 dias.
Crédito pessoal - Nas operações voltadas exclusivamente para as pessoas físicas, a taxa média caiu 0,2 ponto, para 48,4% ao ano, também a menor já registrada. Apesar da queda nos juros, o spread nessas operações ficou estável em 37,7 pontos percentuais.
O maior recuo ocorreu nos juros do cheque especial, que passaram de 140,3% em maio para 139,7% ao ano em junho, uma queda de 0,6 ponto percentual. Em 12 meses, a queda é de 5,4 pontos percentuais, um recuo pequeno diante da magnitude dessa taxa.
Para a aquisição dos demais bens, houve uma queda de 0,4 ponto para 52,3% ao ano, uma redução de 3,9 ponto em 12 meses. Para a aquisição de veículo, o recuo foi de 0,3 ponto percentual, para 29,4% ao ano em junho (redução de 3,9 pontos percentuais nos últimos 12 meses).
O crédito pessoal foi a única modalidade que registrou elevação, de 0,1 ponto, para 52,3% ao ano em junho. Em 12 meses, esse recuo é de 9,9 pontos percentuais. Dentro dessa modalidade está o crédito consignado - desconto em folha de pagamento -, que apresentou um recuo de 0,2 ponto, para 31,9% ao ano no mês passado.
No caso das empresas (pessoas jurídicas), a taxa de juros caiu de 24,3% ao ano para 23,7% ao ano e o spread caiu 0,2 ponto, para 12,6 pontos percentuais.
Em relação à pontualidade dos consumidores brasileiros, a taxa de inadimplência apresentou um ligeira queda, de 4,8% para 4,7%. Nas empresas, ela ficou em 2,6%. Para as pessoas físicas caiu 0,1 ponto, para 7,1%.

mockup