Taxas continuarão altas, diz Malan
O governo utilizará as taxas de juros elevadas como ferramenta para evitar a elevação generalizada de preços, disse ontem o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Não abriremos mão dos instrumentos de política monetária para combater a volta da inflação, afirmou o ministro, após reunir-se com representantes de federações industriais de todo o País, na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
Não temos dúvida de que não permitiremos a volta do flagelo da inflação neste País, afirmou Malan. Ele admitiu que haverá acomodação de preços relativos, ou seja, alguns produtos mais afetados pela variação do câmbio poderão subir. Não há espaço para uma explosão da inflação, garantiu. Ela será, é verdade, maior do que a de 98, mas menor do que a do ano 2000. O ministro explicou que, embora o câmbio flutuante abra espaço para uma redução mais significativa nas taxas de juros a médio prazo, atualmente os juros estão sendo utilizados para combater o overshooting (elevação) no câmbio.
Segundo relatou o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN), Malan disse aos empresários que só será possível pensar em reduzir os juros quando o câmbio estabilizar-se - o que ainda levará um par de semanas, segundo relatou o presidente da CNI, senador Fernando Bezerra (PMDB-RN).
Quem olhou as notícias alguns minutos atrás, veria o dólar a R$ 1,98; agora há pouco, estava em R$ 1,80, comentou o ministro. Não tem sentido ficar acompanhando o mercado a cada minuto. Ele negou que haja um limite a partir do qual o governo passará a intervir no mercado. Malan foi à CNI expor o panorama atual da economia, a convite da entidade. Ele pediu aos empresários sugestões para evitar a reindexação da economia e uma lista de produtos onde os efeitos da desvalorização cambial podem levar à necessidade real de um aumento.Dida Sampaio/Agência EstadoMalan: redução dos juros ainda vai levar um par de semanasAgência Estado





