O Índice de Preços ao Consumidor da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (IPC-Fipe) poderá registrar deflação em maio, depois de quatro meses consecutivos de alta. A última deflação ocorreu em dezembro do ano passado (-0,12%), antes das mudanças no câmbio, que provocaram pressões inflacionárias.
‘‘A deflação está de volta’’, afirma o coordenador do IPC da Fipe, Heron do Carmo. Diante do cenário mais positivo da economia, ele argumenta que a deflação está sendo provocada pelo recuo da cotação do dólar, que está puxando para baixo os preços. ‘‘Voltamos ao padrão anterior à desvalorização do câmbio e o principal efeito da mudança cambial já foi sentido’’.
Heron decidiu rever pela segunda vez neste mês as projeções para maio, depois do resultado surpreendente obtido na segunda prévia do mês. Na segunda quadrissemana de maio o custo de vida do paulistano foi 0,12%, com queda de 0,23 ponto porcentual em relação à primeira prévia do mês. Para junho, a expectativa agora é que o IPC fique em 0,30%, ante a previsão inicial de 0,35%. ‘‘O IPC acumulado no primeiro semestre deverá ficar abaixo de 3,5%’’.
O custo de vida também caiu entre os dias 21 de abril e 10 de maio, de acordo com a segunda prévia do Índice Geral de Preços de Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), que registrou neste período deflação de -0,25%. O chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV-RJ, Paulo Sidney Cota, afirmou que maio pode ter a primeira deflação após a desvalorização do real, em janeiro. ‘‘As chances são grandes de um índice próximo de zero’’.

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