Taxas bancárias caem, apesar da Selic estável
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
Agência Folha 
Brasília - As taxas de juros anuais praticadas pelos bancos mantiveram-se estáveis ou sofreram ligeira redução em janeiro, apesar de o Banco Central (BC) ter interrompido a trajetória de queda do juro básico (Selic) no mês passado. A variação, porém, foi pequena e o preço do dinheiro ainda continua ''elevadíssimo'', disse ontem o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Para as pessoas físicas, a taxa média de juros variou em pouco mais de um ponto percentual, diminuindo de 66,6% para 65,4%. De acordo com o Banco Central, foi a menor média desde março de 2001, de 63,5%. Os juros permaneceram estáveis para pessoas jurídicas. A variação de dezembro para janeiro foi de 30,2% para 30,1%. O percentual de inadimplência entre as empresas diminuiu de 4% para 3,9%, enquanto entre as pessoas físicas houve um pequeno aumento de 13,8% para 14,1%.
De acordo com Lopes, a estabilidade na taxa de inadimplência permitiu uma pequena redução na cobrança do ''spread'' (diferença entre o custo que os bancos pagam para captar dinheiro no mercado e a taxa cobrada dos clientes) de 14,4% para 14,3% no caso de pessoas jurídicas e de 50,8% para 50,0% nas operações de crédito para pessoas físicas.
Em janeiro, os juros médios cobrados pelos bancos pelo uso do cheque especial, os mais caros do mercado, ficaram em 143,5% ao ano, a menor taxa desde maio de 2000, que registrou 141,9%. Os juros para o crédito pessoal e para aquisição de veículos também diminuíram de 80,3% para 79,1% e de 36,9% para 36,1%, respectivamente.
Os dados parciais do mês de fevereiro confirmam que a interrupção da queda da Selic não causou pressão para o aumento dos juros praticados no mercado. Até o dia 9 a média dos juros para pessoas jurídicas e físicas ficaram em 30,2% e 64,8%, respectivamente.


