Taxas altas exigem novo comportamento
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segunda-feira, 03 de novembro de 1997
Agência Estado São Paulo 
Crédito mais caro, prestação da casa própria mais pesada, melhor desempenho das aplicações em renda fixa. Essas foram as consequências imediatas para o seu bolso, trazidas pela decisão do governo em aumentar as taxas de juro e, assim, evitar a fuga de reservas do País.
Os reflexos poderão ser mais drásticos. Tudo vai depender da dimensão da crise. As taxas nos atuais níveis, no entanto, são suficientes para provocar uma queda na atividade econômica, na opinião do presidente do Conselho Regional de Economia, Antonio Correa de Lacerda. Na ponta do consumo, os juros altos difcultam o acesso às compras financiadas, o que provoca a redução de negócios no comércio; na ponta da produção, eles impedem que empresas levantem recursos para expandir suas operações. E, com a retração na economia, o desemprego deve aumentar.
Na opinião do economista, outras restrições podem vir a ser adotadas, como, por exemplo, imposição de limites para uso do cartão de crédito no exterior, de modo a impedir saída de dólares, ou nas operações de crédito, de modo a esfriar o consumo e, por tabela, pressionar menos as importações. Juros altos, perspectiva de medidas mais duras e risco de desemprego tendem a aumentar a inadimplência. Assim, é conveniente preparar-se para tempos mais difíceis. O investidor precisa ter calma para ver se é o caso, ou não, de trocar de posição (leia na página 3).
Ainda que a alta dos juros imponha mais sacrifícios, a verdade é que o outro trunfo para preservar as reservas do País, a desvalorização cambial, faria uma estrago ainda maior na economia e no dia-a-dia de cada um. Seria a volta da inflação, da reindexação com todos os duros desdobramentos já bem conhecidos por todos nós. Pior, a quebra de confiança dos agentes econômicos decretaria o fim do plano de estabilização.
O risco contra o real, pela fuga de capital, teve origem quando a crise proveniente dos países da Ásia avançou além dos limites das Bolsas. O enfraquecimento das Bolsas, abaladas por fortes e sucessivas baixas, principalmente pela venda de investidores estrangeiros, semeou desconfiança sobre o Plano Real. A contínua saída de divisas passou a testar a capacidade do Banco Central de sustentar a política de correção gradual das cotações do dólar. A sangria nas reservas cambiais exigiu uma elevação cavalar das taxas de juro.


