Taxas ainda são altas
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de novembro de 1996
Oswaldo Petrin 
- O País precisa aumentar as exportações e o governo está quase desenterrando o velho eslogam Exportar é o que importar, de 15 anos atrás. Precisa do equilíbrio da balança, mas, no netanto, os juros de 16% ao ano que o governo fixou para o financiamento de tratores e colheitadeiras são uma taxa alta para a modalidade de investimento, principalmente quando comparadas às taxas internacionais. Talvez não devessem ser consideradas tão altas, se não se tratasse de dotar um setor carente neste tipo de crédito. Porém, se comparadas com a Libor da UE, de 6%, e a Prime Rate de 8%, as taxas para os empréstimos do BNDES representam quase três vezes mais que as taxas de juros internacionais. Ora, para quem se propõe a nivelar sua agricultura aos padrões internacionais (não é uma espiração, é uma contingência da globalização) tais taxas são altas.
- Setores da agricultura estão considernando um vanço a volta do crédito de investimento. A medidas, como já se divulgou, foi aprovada quinta-feira pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). São R$ 200 milhões para a compra de equipamentos, com cinco anos para amortização.
- As revendas de tratores a princípio acharam que a medida foi excelente. Mas se os agricultores fizem as contas vão ver que o juro ainda está no ritmo do plano real: salgado. Detalhe: não há carência, ou pelo menos não consta das regras anunciadas ontem.
- A propósito, o técnico da Confederação Nacional da Agricultura, Antônio Donizeti Beraldo, considera que, com a decisão do governo de reduzir a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) para 11% a partir de dezembro, os financiamentos para compra de máquinas ficariam praticamente com a mesma taxa, em torno de 15% e 16% ao ano. Os recursos emprestados pelo Finame rural neste ano deverão chegar, no máximo, a R$ 250 milhões, o que representa um quarto do total de R$ 1 bilhão aplicado em 1994. E não é por falta de recursos que os empréstimos vêm caindo, mas (por falta) de tomador, analisou o técnico da Donizeti, em entrevista à repórter Mariangela Heredia, da Agência Estado.
- Beraldo está certo ao dizer que que os recursos dos fundos constitucionais destinados a vários tipos de investimentos na agricultura também não estão sendo aplicados por falta de clientes. Apenas para Mato Grosso foram destinados este ano R$ 120 milhões do Fundo Constitucional do Centro-Oeste para investimentos, e até agora só R$ 11 milhões foram aplicados, pois a correção é pela TJLP mais 6%, e o agricultor fica temeroso.
- De qualquer forma vale lembrar que o CMN, expressando a intenção do governo, abre uma linha de crédito específica no setor de investimentos. É o primeiro sinal de que está pelo menos acenando com boa disposição.


