A indústria acumula estoques, sobretudo de bens intermediários usados na fabricação de outros produtos. Uma das razões é a crença dos empresários na continuidade do crescimento da economia nos próximos meses. A Sondagem Conjuntural da Indústria, do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, mostra que 26% das 1.263 empresas pesquisadas aumentaram seus estoques no segundo trimestre, enquanto 20% reduziram. Os estoques de bens intermediários foram reforçados por 24% das empresas e 14% reduziram esses volumes.
‘‘Essa acumulação de estoques não preocupa’’, afirma o coordenador da pesquisa, Salomão Quadros. Na maioria dos segmentos analisados, o aumento dos estoques é considerado normal, isto é, nada excessivo. Para Quadros, o mais provável é que esse acúmulo de insumos e matérias-primas seja uma indicação de que as empresas estejam se preparando para uma demanda sustentada. ‘‘Esse movimento deve ser interpretado como saudável’’.
Os números do IBGE confirmam a tendência. Há seis trimestres consecutivos que o PIB cresce sem sobressaltos, o que reforça a tese de que não se trata de bolha de crescimento. Essa avaliação é compartilhada por empresários do setor industrial. Segundo afirmam, não haverá crescimento desenfreado, mas sustentado. ‘‘Nada deverá conter a onda de crescimento da economia brasileira’’, afirma o diretor-superintendente do Grupo Votorantim, Antonio Ermirio de Moraes.

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