Brasília O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,50 ponto percentual, para 16,75% ao ano. Essa é o segundo aumento consecutivo da taxa no mês passado, ela foi elevada em 0,25 ponto. O aumento está dentro da expectativa do mercado e reafirma a posição da autoridade monetária de ser menos tolerante a choques que possam ameaçar a estabilidade de preços. O preço do petróleo em patamares elevados e a recuperação da economia brasileira refletida no aumento da renda do trabalhador levaram à decisão de ontem.
O BC trabalhava com o barril cotado a US$ 35. Hoje, ele está em mais de US$ 55. No último dia 14, a Petrobras anunciou um aumento de 2,4% para a gasolina nas refinarias e de 4,8% para o diesel. No entanto, especialistas do setor acreditam que após as eleições a estatal deve fazer um novo reajuste, que tem impacto na inflação não só pelo aumento na gasolina, mas também pelo seus efeitos indiretos, como o encarecimento do frete.
Em setembro, a inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,33%, abaixo do registrado em agosto (0,69%), mas no acumulado do ano o aumento de preços está em 5,49%. A meta da inflação é de 5,5% nesse ano, com margem de tolerância de 2,5 pontos percentuais para cima ou para baixo. Para 2005, a meta é de 4,5%.
Dados econômicos divulgados essa semana também reforçaram a idéia de que a taxa fosse elevada. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (Ibge) divulgou que a folha de pagamentos dos trabalhadores da indústria subiu 8,3% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado. Com o aumento da renda, o consumo aumenta, o que pode pressionar a inflação. Outro fator de preocupação para a autoridade monetária é a retomada do crescimento econômico, em especial do setor industrial. Há o temor de que os empresários aproveitem essa recuperação para repassar aos consumidores o aumento de custos, recompondo a margem de lucro.
A cautela do governo revela o temor da falta de investimentos se eles não forem feitos no nível necessário, é possível uma crise de demanda, o que pressionaria ainda mais os preços. No entanto, economistas contrários ao aperto fiscal e o setor industrial defendem que não há demanda suficiente para pressionar os preços. Eles defendem que esse aumento é causado pelo choque de custos elevação do preço de matérias-primas.
A justificativa para a reunião será conhecida no dia 28, quando será divulgada a ata da reunião de ontem. O relatório de mercado, divulgado semanalmente pelo BC, aponta que a taxa de juros irá terminar o ano em 17%. Para que isso aconteça, a autoridade monetária deve fazer mais dois aumentos de 0,25 ponto percentual nas duas próximas reuniões do ano ou um aumento de 0,5 ponto em novembro ou dezembro.

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