São Paulo A redução da taxa básica de juros da economia brasileira não foi suficiente para tirar o Brasil do topo do ranking das maiores taxas reais de juros do mundo.
Para se calcular o juro real é preciso descontar a previsão de inflação para o próximos 12 meses pelo IPCA (índice oficial utilizado pelo governo) da taxa Selic.
Por essa fórmula, os juros reais estão em 10,9% ao ano no Brasil. Antes da redução da Selic de 19% para 17,5% ao ano, a taxa real estava em 12,3% ao ano.
Dados da consultoria Global Invest mostram que essa é a maior taxa entre as 40 principais economias do mundo. A segunda maior é a de Israel, que tem taxa de 8,4%.
Ontem, o vice-presidente José Alencar afirmou que o Brasil deveria ter uma taxa real de 3% ao ano, ''para começar''. Segundo o ranking da Global Invest, apenas oito países, entre eles o Brasil, têm uma taxa real superior a esse percentual.
Na média, a taxa real dessas economias é de 1,5%, sendo de 2,4% para os países emergentes e 0,2% para os desenvolvidos.
Mas existem outras formas de se calcular o juro real. Segundo o economista Alexsandro Agostini, da Global Invest, utilizando-se a taxa nominal de juros (o CDI) e a inflação medida pelo IPCA acumulados nos últimos 12 meses, os juros reais em novembro devem passar de 8,7% em outubro para 11,3% ao ano em novembro.
Nesse caso, como a queda da inflação é maior que a redução promovida pelo BC, a taxa real de juros aumentou.

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