Taxa para empréstimo de longo prazo cai para 9,75% ao ano
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segunda-feira, 29 de março de 2004
Lu Aiko Otta<br> Agência Estado 
Brasília - O governo promoveu ontem um ligeiro corte na Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), reduzindo-a de 10% para 9,75% ao ano. A diminuição foi possível porque a inflação projetada para os próximos 12 meses caiu de 5,5% para 5,25%. Para calcular a TJLP, os técnicos também levam em consideração o risco País, que subiu nas últimas semanas. Os técnicos avaliaram, porém, que essa elevação é temporária e se reverterá no médio prazo. Por isso, o indicador recente não afetou a formação da TJLP. Do contrário, a taxa poderia ter sido mantida ou até subido.
A conjuntura está um pouco negativa, admitiu o diretor de Normas do Banco Central, Sérgio Darcy. Mas se entendeu que isso se deve a fatores conjunturais. Ele explicou que, como a TJLP é uma taxa para empréstimos de longo prazo, ela deve levar em conta as perspectivas da economia no médio e longo prazos. E essas são positivas, comentou. Proximamente, o prêmio de risco vai refluir. O diretor explicou que a taxa é influenciada principalmente pelo cenário no mercado externo, afetado pelos atentados terroristas. Problemas internos ao País também podem afetar a taxa, reconheceu.
A nova taxa não atende ao pedido feito pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Carlos Lessa. Ele queria que a TJLP, usada nos contratos de financiamento daquela instituição, fosse cortada para 8%. Darcy confirmou que uma carta de Lessa solicitando essa redução foi recebida pelo Banco Central, mas informou que a sugestão não foi discutida durante a reunião de ontem do CMN, que fixou a nova taxa.
Darcy esclareceu também que não procedem as informações de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) estaria questionando a TJLP, por considerar que ela envolveria um subsídio e estaria em desacordo com as regras internacionais de comércio. Segundo Darcy, os técnicos do Fundo não levantaram esse questionamento. As pessoas do governo que estão em contato com o Fundo disseram que não procede, disse. Questionado sobre se a questão do subsídio havia sido discutida no CMN, Darcy foi categórico: de forma alguma, afirmou. A TJLP é fixada pelo CMN a cada trimestre, levando em conta as perspectivas de inflação e a taxa de risco do Brasil. A nova taxa figurou ontem como um voto extrapauta da reunião do conselho.


