A taxa média de juros para o consumidor fechou em agosto a 128,78% ao ano, o que representa alta de 1,13% ante os 126,74% de julho, ou 0,08 pontos percentuais (p.p.). Para as empresas, a diferença aumentou de 61,22% para 61,77%, ou 0,74% (0,03 p.p.). Em ambos os casos, são os maiores percentuais desde junho de 2009, quando estavam em 130,58% e 62,33%, respectivamente, de acordo com dados divulgados ontem pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).
O coordenador da pesquisa e diretor executivo de estudos da entidade, Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que as causas para a elevação são o cenário econômico deteriorado, que eleva riscos de inadimplência, e o reajuste tributário sobre a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para bancos e instituições financeiras, de 15% para 20%, que foram repassadas aos tomadores de financiamentos. No caso do cartão de crédito, ele ressalta no estudo que a taxa de 350,79% ao ano para agosto é a maior desde os 354,63% de março de 1999.
Oliveira explica que cinco fatores influenciam os juros bancários. O primeiro é a taxa básica de juros, a Selic, definida pelo Banco Central (BC) e que não foi elevada neste mês. A segunda são os impostos cobrados dos bancos, como a CSLL, que sofreu reajuste devido ao pacote fiscal do governo federal. Na sequência, aparecem o risco de inadimplência, maior devido ao aumento do desemprego e da inflação, e as despesas administrativas.
Por fim, há o risco de redução na margem de lucros dos bancos. No entanto, as quatro principais instituições bancárias do País tiveram alta próxima a 40% nos lucros no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, conforme balanços divulgados pelas empresas. "Os bancos tiveram o spread elevado pelo maior risco de inadimplência, mesmo que esse risco não se confirme", explica o diretor da Anefac, sobre a diferença entre as taxas cobradas das financeiras e as que cobram dos clientes.
Diferença que pode aumentar, diz Oliveira. "Com a queda do rating (rebaixamento da nota por agências de risco) para o País e para os principais bancos, aumenta os juros que vão pagar para captar dinheiro lá fora", conta o pesquisador.
A professora de economia Maria Eduvirges Marandola, da Unifil, afirma que a 11ª elevação consecutiva dos juros para consumidores e empresas tende a agravar o panorama econômico. "Quando a taxa aumenta para os empresários, há uma retração dos investimentos porque diminuiu a possibilidade de remuneração para os gastos. Para o consumidor, se os juros ficam mais caros, aumenta o custo no orçamento e ele compra menos."
Maria Eduvirges lembra que já aparecem agentes de mercados que acreditam em nova alta da Selic pelo BC, devido à pressão que a valorização do dólar sobre o real possa provocar na inflação, tanto pelo custo de produtos quanto de insumos importados. "Temos de esperar para ver o resultado desse pacote de cortes de gastos em Brasília e ver se o governo vai usar nova alta de juros para atrair capital externo, já que o maior risco afasta os investidores", completa.

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