Curitiba - A taxa média de juros no crédito ao consumo, que ficou em 44% ao ano no levantamento do Banco Central divulgado ontem, atingiu o maior patamar desde março de 2011. Em outubro, os juros para a pessoa física ficaram 1,2 ponto percentual maiores que em setembro. Os principais motivos para a alta das taxas são o aumento do risco da inadimplência e o maior endividamento das famílias.
‘’Com um ambiente de retração econômica, aumenta o risco de desemprego e da inadimplência’’, explicou o diretor executivo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira. Para ele, a taxa média ter chegado a 44% ao ano não foi uma surpresa. Destacou também que neste percentual ainda não está computado o impacto do último aumento da taxa Selic que aconteceu no final de outubro.
O professor do curso de Economia da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Vanderlei Sereia, disse que quando o risco aumenta, os bancos cobram juros maiores. Para ele, a elevação das taxas em outubro também está relacionada a uma antecipação que o mercado já está fazendo de umpossível novo aumento da taxa Selic que deve acontecer até o final do ano.
Nos empréstimos às empresas, a taxa média de juros alcançou 15,9% ao ano depois de ter aumento de 0,1 ponto percentual no mês e de 1,1 p.p. em 12 meses. O estoque total de crédito do sistema financeiro alcançou R$ 2,9 trilhões em outubro, com expansão de 0,8% no mês e de 12,2% em 12 meses. Em setembro, as altas foram de 1,3% e 11,7%, respectivamente. Segundo Oliveira, apesar do estoque de crédito ter crescido em outubro, ainda subiu menos que em setembro. Para ele, isso mostra que os bancos estão seletivos na concessão de crédito e que houve redução no volume de empréstimos.
A pesquisa do BC apontou ainda que a inadimplência para a pessoa física no crédito livre caiu de 6,6% para 6,4% no mês passado. Oliveira acredita que este resultado está associado ao maior rigor dos bancos para oferecer crédito e ao consumidor que passou a segurar as compras. O levantamento também mostrou que a relação crédito/PIB (Produto Interno Bruto) passou de 57,2% para 57,3% entre setembro e outubro. Para ele, este percentual é baixo e o ideal seria cerca de 80%. ‘’Quanto mais crédito, mais o País pode avançar porque gera emprego e renda. Mas, crédito com critério’’, afirmou.

Consignado
Uma das modalidades que chamou a atenção na pesquisa do BC foi a concessão de crédito com desconto em folha de pagamento, o consignado, que disparou em outubro. Segundo informações do BC, houve um movimento intenso de renovação de operações dentro das novas regras aprovadas pelo governo para esticar esses financiamentos.
Entre setembro e outubro, a liberação desses empréstimos cresceu 47% para servidores públicos e 58% para beneficiários do INSS (aposentados e pensionistas). No final de setembro, o governo elevou o número máximo de prestações no consignado para servidores de 60 a 96 meses. No INSS, o limite de parcelas subiu de 60 para 72 meses.
Para Oliveira, o aumento da procura por consignado pode ser explicado pelo aumento do prazo das prestações. Também pode estar relacionado com a maior dificuldade das pessoas que estão com a renda comprometida e buscam o consignado que tem juros mais baixos para se livrarem de dívidas mais caras. Para Sereia, o aumento do prazo para pagar faz as pessoas tomarem mais crédito. (Com agências)

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