A alta dos juros deverá derrubar a inflação deste ano para menos de 4%. Essa é a previsão de Heron do Carmo, coordenador da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) da Universidade de São Paulo. O economista, que antes da crise nas bolsas de valores previa uma inflação de 4,3% para 1997, espera agora uma variação anual de 3,8%, a menor desde 1950, quando a alta no ano havia sido de 3,7%. Técnicos do varejo concordam com Heron e dizem que os preços devem recuar porque os lojistas vão aumentar as promoções e deixar de recuperar margens de lucro com as vendas de Natal.
Numa economia desindexada os preços caem porque não há como repassar. O aperto monetário nesse caso, explica, reduz o nível de atividade, especialmente quando o movimento no comércio depende tanto das vendas a prazo. Os lojistas, conclui, vão ter de fazer promoções e reduzir preços para assegurar as vendas de fim de ano. A inflação, que já deveria ser baixa no último bimestre, segundo ele, será ainda menor.’
A perspectiva do economista Carlos Henrique de Almeida, da Federação do Comércio do Estado de São Paulo, é semelhante. ‘‘O comércio não vai conseguir repor margens de lucro neste fim de ano, especialmente as pequenas lojas, menos capitalizadas’’.

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