Brasília A combinação de juros altos e desenvolvimento econômico é ''incompatível''. Esta opinião, expressa na quarta-feira pelas lideranças do setor produtivo como Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Confederação Nacional das Indústrias (CNI) foi referendada, ontem, pelo ministro da Casa Civil, José Dirceu.
''O País não pode conviver com essa taxa de juros. É incompatível juro alto e crescimento econômico'', afirmou o ministro. Apesar da crítica, Dirceu argumentou que a elevação da taxa Selic, de 25,5% para 26,5% ao ano, é necessária para conter a alta dos preços e enfrentar uma possível guerra entre Estados Unidos e Iraque.
''É um momento transitório. O País precisa impedir a retomada da inflação e se preparar para uma situação internacional mais grave'', disse. Da mesma forma, a elevação dos depósitos compulsórios de 45% para 60%, decidida anteontem pelo Banco Central, tem por objetivo a contenção da subida da inflação e uma preparação para um crise internacional, segundo Dirceu.
Apesar de recessivas, as medidas do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tiveram apoio do ministro da Fazenda, Antônio Palocci, que, ao contrário de Dirceu, disse que as decisões não teriam efeito sobre a atividade econômica, já que o governo estaria tomando medidas para a retomada da confiança.
Dirceu ponderou que a tarefa de estimular o crescimento do País não é de responsabilidade do BC. ''Quem tem que resolver o problema do desenvolvimento é o governo'', disse.
A receita para reaquecer a economia seria a promoção das reformas tributária e previdenciária e a elaboração de uma política de financiamento público ao setor produtivo, de acordo com o ministro.

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