Taxa do IPCA de 0,62% para janeiro surpreende
Agência Estado
Do Rio
A taxa de inflação surpreendeu neste início do ano, e reacendeu as expectativas do mercado em torno de uma queda dos juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,62% em janeiro e registrou alta de apenas 0,02 ponto percentual em relação a dezembro.
A taxa, calculada pelo IBGE, serve de referência para o sistema de metas de inflação do governo. A gerente do Sistema de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes, explica que os alimentos foram os grandes responsáveis pela estabilidade na inflação em janeiro. Os produtos subiram 0,84%, abaixo dos 1,41% registrados no mês anterior.
O recuo refletiu a deflação de 2,45% nos preços dos cereais, leguminosas e oleagenosas, e de 0,68% nas carnes. Tradicionalmente, os preços desses produtos caem no início do ano. Já os produtos não alimentícios acumularam alta de 0,56%, superior em 0,19 ponto percentual à registrada no mês anterior. A pressão veio dos gastos com educação, que pularam de 0,46% para 3,05%.
O IBGE divulgou ontem, também, o Índice de Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de janeiro, que ficou em 0,61%, inferior em 0,13 ponto percentual à taxa verificada no mês anterior. O cenário positivo para a inflação levou o mercado a rever suas projeções para os índices de preços em 2000. O Lloyds Bank TSB acredita que a inflação possa ficar cerca de meio ponto percentual abaixo da taxa projetada no final do ano passado. O economista-chefe da instituição, Odair Abate, trabalha com taxa entre 0,3% e 0,4% nos próximos dois meses.
A desaceleração na alta dos índices de preços abriu espaço para um corte na taxa de juros, na opinão de Abate. Se não houver redução, pelo menos, o governo deve sinalizar com uma mudança no viés. O executivo da Mercatto, Paulo Veiga pondera, porém, que a tendência de alta de juros na Europa pode inibir um movimento mais ousado do governo.





