Os juros do crediário atingiram o nível mais baixo desde o início do Plano Real. Em junho, as taxas cobradas pelas lojas ficaram em 7,40% ao mês, na média. Os dados são da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Em agosto de 1994, pouco depois de o Real entrar em vigor, os juros do crediário eram de 15,02% ao mês, o que equivale a 436,14% ao ano. Porém, para Miguel de Oliveira, vice-presidente da Anefac e coordenador da pesquisa, a situação não é tão boa quanto parece.
Oliveira afirma que as reduções dos juros cobrados do consumidor não acompanharam o ritmo dos cortes nos juros básicos da economia. Em agosto de 1994, a taxa Selic estava em 46,78% ao ano. Isso quer dizer que os juros do crediário eram 362,15% maiores do que a taxa básica.
No mês passado, os juros praticados no comércio – 135,53% ao ano – eram 436,23% maiores do que a Selic, que estava em 17,5% ao ano. Entre maio e junho, os juros registraram pequena queda. A maior queda foi a do crédito direto ao consumidor (CDC), que caiu 1,88% de um mês para o outro. Oliveira considera a redução das taxas insuficiente, dadas as medidas tomadas pelo governo nos últimos meses.
No início de junho, o Banco Central reduziu de 55% para 45% o compulsório sobre depósitos à vista, que é o volume de recursos que os bancos são obrigados a deixar depositados no BC, sem nenhuma remuneração. O objetivo da medida era aumentar o volume de recursos destinado à concessão de crédito, o que, teoricamente, deveria provocar uma redução nos juros cobrados do consumidor.

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