Taxa do cheque especial chega a 232% ao ano
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terça-feira, 23 de junho de 2015
Eduardo Cucolo<br> Folhapress 
Brasília - As taxas de juros no crédito bancário voltaram a subir em maio, acompanhando o movimento de alta da taxa básica de juros promovido pelo Banco Central. A taxa média do cheque especial fechou o mês passado em 232% ao ano, segundo o BC. Esse é o maior valor registrado desde dezembro de 1995, quando estava em 242% ao ano.
O maior valor registrado pelo BC no custo do cheque especial desde o Plano Real são os 294% ao ano de julho de 1994, início da série histórica da pesquisa mensal de crédito da instituição. A taxa média de juros no rotativo do cartão de craédito alcançou 360% ao ano. Um ano antes, a taxa estava em 306% ao ano. Essa é a linha mais cara entre as principais modalidades de crédito para o consumo.
Na média, a taxa de juros do crédito ao consumo passou de 48,8% em maio do ano passado para 57,3% ao ano em maio deste ano, de acordo com a pesquisa de crédito do BC. O número é novo recorde para a série iniciada em março de 2011. A inadimplência, que estava em 5,7% em maio do ano passado, caiu para 5,4% neste ano no crédito para pessoas físicas com taxas de mercado.
O estoque total de crédito cresceu 0,7% em maio em relação a abril e acumula alta de 10,1% em 12 meses, somando R$ 3,08 trilhões. Houve alta de 0,8% na contratação pelas empresas e alta de 0,6% para as pessoas físicas. Na comparação com o PIB (Produto Interno Bruto), o estoque de crédito avançou de 54,3% para 54,4% entre abril e maio. O percentual ainda está abaixo do registrado no final do ano passado (54,7%). O crédito livre cresce a uma taxa de 4,7% em 12 meses. Já as operações com juros e direcionamento controlados pelo governo, que incluem BNDES e crédito imobiliário, cresceram 16,5% na mesma comparação.
Uma das principais ferramentas usadas para impulsionar o crescimento econômico nos governos petistas, o crédito bancário deve registrar em 2015 o pior desempenho desde 2003, início do governo Lula. O saldo de operações de crédito a empresas e consumidores deve crescer 9% neste ano, segundo o Banco Central. Em março, o BC havia projetado crescimento de 11%, praticamente o mesmo resultado de 2014. Os dados verificados até maio, próximos a 10%, no entanto, mostraram um desempenho pior do que o esperado.
A maior desaceleração esperada para este ano é no crédito com recursos controlados pelo governo, o que inclui empréstimos do BNDES para empresas e imobiliário para pessoas físicas. Depois de crescer 24% em 2014, esse saldo deve avançar 14% neste ano, segundo o BC. Desde o ano passado, o governo tem cortado o subsídio para o crédito do BNDES. Essas concessões caíram cerca de 25% nos cinco primeiros meses deste ano. Em relação aos consumidores, o crédito imobiliário tem sido afetado pela falta de dinheiro da poupança, pelas restrições impostas pela Caixa e pelo aumento dos juros. Essas concessões cresceram menos de 1% neste ano. De abril para maio, a queda foi de 29%.
"O comportamento do crédito segue o ajuste macroeconômico em curso iniciado em 2014, em particular o próprio ciclo de aperto monetário, que acaba repercutindo nas diversas modalidades de crédito", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. "Também faz parte desse cenário o próprio crescimento da atividade econômica. Esses fatores se refletem tanto do lado da oferta como da demanda."
Para as empresas, o quadro se mostra mais preocupante. A inadimplência tem crescido mês a mês desde o ano passado e chegou a 4%, maior valor desde 2009, época em que o mercado de crédito travou por causa da crise internacional. As concessões recuaram no ano, inclusive no crédito com recursos livres. A taxa média, nesse caso, está em 27%, também recorde. No crédito ao consumo, destaca-se também o encolhimento no estoque de empréstimos para compra de veículos, que recuaram 6,6% nos 12 meses encerrados em maio.


