Taxa de juros sobe e é a maior em sete meses
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terça-feira, 16 de julho de 2013
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 
A média da taxa de juros para pessoa física aumentou 0,37% em junho sobre maio e fechou em 89,04% ao ano, a maior desde novembro de 2012. O resultado se deve principalmente pelo reajuste da taxa básica, a Selic, ocorrido ainda no dia 29 de maio, quando foi de 7,50% para 8% ao ano. Porém, o impacto foi sentido apenas no mês passado e se deu somente em operações como empréstimos pessoais e uso de cheque especial. Segundo dados da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), responsável pela pesquisa divulgada ontem, não houve variação para juros no comércio, em cartões de crédito e no financiamento de automóveis para não prejudicar o já desaquecido consumo do País.
O diretor executivo de estudos econômicos da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, afirma que o reflexo tem sido menor para o consumidor. "Alguns bancos subiram, mas outros não, por conta da competição acirrada", diz. Ainda assim, a maior variação foi para empréstimos pessoais em bancos, que passou de 2,97% para 3,04% ao mês, o que representa alta de 2,97%. Na sequência, aparecem cheques especiais, com reajuste de 0,65% entre os dois meses, e empréstimos em financeiras, com 0,58%.
No caso do comércio, o diretor da Anefac diz que não houve mudança. "Como as vendas estão baixas, os juros não aumentaram", conta. Na entidade, a perspectiva é de que a manutenção da inflação em índice próximo ao teto da meta do Banco Central, que é de 6,5%, resulte em novos reajustes da Selic e novas altas nos juros. Na reunião do Copom no último dia 10, a taxa básica já passou de 8% para 8,50%.
O professor de economia Laércio Rodrigues de Oliveira, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembra que o resultado direto da alta de juros deve ser de reduções no consumo e na produção do País. Ele cita que a alta no custo do crédito faz com que as pessoas pensem duas vezes antes de fazer uma compra. "Estamos vivendo o que os economistas estão chamando de 'estagflação', que é uma inflação sem crescimento."
Ele sugere que o consumidor passe a prestar mais atenção nos custos financeiros das compras a prazo, a negociar descontos, que fuja de dívidas em longo prazo e evite o uso de cartão de crédito, cujos juros são os mais altos, com 9,37% ao mês e 192,94% ao ano. O professor não acredita, porém, que a situação leve a um quadro preocupante nos próximos meses, cujo cenário mais pessimista seria de aumento de desemprego. "Grande parte dos setores ainda reclama da falta de mão de obra, principalmente a especializada, então o que pode ocorrer é uma manutenção dos índices de trabalho", conta.
Empresas
Para pessoas jurídicas, a variação em junho sobre maio foi de 1,31%. A taxa passou de 3,05% ao mês em maio para 3,09% em junho. Na pesquisa por estados, o Paraná assumiu a primeira colocação no índice por crediário, ao passar de 4,14% ao mês para 4,15%, o que representa alta de 0,24% e um custo anual de 62,90%. Logo atrás aparecem Minas Gerais e Rio de Janeiro, com 62,71%. No entanto, o estudo da Anefac não apresenta informações que expliquem as diferenças regionais.



