A taxa de juros livre, ou para consumo, cobrada das famílias aumentou 0,5 ponto percentual (p.p.) em junho ante maio e chegou a 43% ao ano (a.a), o maior patamar da série histórica do Banco Central (BC), iniciada em março de 2011. Para pessoas jurídicas, porém, houve queda de 0,4 p.p. no mês, com 22,6% a.a., segundo dados divulgados ontem pelo BC. Na média, a taxa ficou estável em 32,0% entre os dois meses.
A taxa básica de juros, a Selic, segue igual desde abril, quando passou de 10,75% para 11%. No entanto, analistas afirmam que o repasse das seguidas elevações promovidas pelo BC é residual e demora de três a seis meses para chegar ao consumidor.
Ainda, a maior cautela nos bancos para oferta de empréstimos faz com que os custos do crédito para pessoas físicas aumente e diminua para as jurídicas, que podem oferecer mais garantias. Medida que, aliada ao aumento do spread bancário, que é a diferença entre o que banco paga em juros ao contratar recursos e o que cobra ao ofertar, evita que a rentabilidade das financeiras seja menor, dizem economistas ouvidos pela FOLHA.
O chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel, considera que o momento é de estabilização dos juros. "Temos acomodação das taxas em patamar mais alto depois de um ciclo de política monetária que conferiu tendência de elevação desde maio do ano passado às taxas de juros. Agora, as taxas estão se acomodando em patamar mais alto."
Conselheiro da regional paranaense do Conselho Regional de Economia (Corecon), Lucas Dezordi afirma que tudo indica que a oferta de crédito não crescerá como nos anos anteriores, quando era de 20%, em média. "Desta vez, não há tanto espaço e deve ficar em 10% ou 12%, então o banco segue a lógica do mercado."
Dezordi explica que a elevação dos juros visa a redução do consumo e, por consequência, da inflação. O BC eleva a Selic, que representa maior custo para a tomada de dinheiro por parte dos bancos, que repassam a variação, também porque preveem queda no consumo.
O especialista em finanças empresariais Rodolfo Olivo, da Faculdade Instituto de Administração (FIA), afirma que a elevação também se justifica para dar maior garantia à possível elevação da inadimplência, diante de uma tendência de baixo crescimento econômico nacional. "O banco considera a chance de um percentual de pessoas deixar de pagar os empréstimos e cobra esse valor sobre os juros, que aumentam."

Inadimplência
O estoque de operações de crédito do sistema financeiro aumentou 0,9% em junho sobre maio, quando atingiu R$ 2,830 trilhões, segundo o BC. O valor representa alta de 11,8% no acumulado em 12 meses.
A taxa de inadimplência no crédito livre, para consumo, ficou em 4,8% em junho, nível inferior aos 5,0% de maio. No entanto, Olivo diz que a redução ocorreu em curto prazo, o que não é o bastante para mudar a política das financeiras. "Os bancos olham para o histórico deles, que têm dois a três anos de empréstimos e (a inadimplência) ainda está subindo", diz. "É preciso cautela com esse dado, porque eles (bancos) trabalham com o cenário futuro e pensam em 2015, quando teremos ajustes fiscais e econômicos", completa Dezordi. (Com agências)

Imagem ilustrativa da imagem Taxa de juros para consumo é maior desde 2011
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