O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) adotou como slogan a frase Brasil, um país de todos. Como peça de publicidade é um bom slogan. Sugere que todos são iguais e que todos são donos do Brasil Mas, para o Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ld), o slogan, porém, é uma peça de ficção. Segundo o Sescap, mais do que nunca o dia-a-dia mostra que o Brasil é um país de poucos.
Enquanto a maioria das empresas brasileiras sofre para continuar sobrevivendo, algumas poucas vêem seu patrimônio crescer favorecidas pela política econômica mantida pelo governo. Para o Sescap, um dos grandes vilões dessa desigualdade é a taxa de juros que impede que as empresas normais tenham acesso ao crédito e possam ampliar sua produção.
Segundo a consultoria GRC Visão, de São Paulo, a queda na taxa nominal na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) levou os juros reais para 14% em setembro, frente aos 14,3% do mês imediatamente anterior. Para o valor projetado em questão, foram considerados: Taxa Selic de 19,50% ao ano e inflação de 4,8% (projeções de 12 meses conforme relatório Focus do Banco Central para o IPCA).
Para o Sescap, não é à toa que os bancos estão satisfeitos. O Itaú, por exemplo, fechou o primeiro semestre deste ano com lucro recorde de R$ 2,475 bilhões. O montante é 35,6% superior ao dos primeiros seis meses do ano passado, que somou R$ 1,825 bilhão. Segundo levantamento da consultoria Economática, o resultado do Itaú neste semestre é o maior da história dos bancos brasileiros para o período, de acordo com dados ajustados pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE até 30 de junho deste ano.
''Não há economia que aguente quando só os bancos ganham'', afirma o presidente do Sescap-Ld, José Joaquim Ribeiro, explicando ainda que passou da hora do governo sair da imobilidade e efetivamente mudar o direcionamento da economia. Segundo Ribeiro as empresas precisam de crédito para crescer. ''Mas hoje, empresário que entra em banco buscando crédito coloca o pé na cova. Os bancos cobram taxa de cadastro, obrigam o empresário a fazer seguro de carro, imóvel, pessoal e tantas outras quinquilharias que, se fizermos um comparativo, é como se o empresário fosse buscar um tijolo e saísse de lá com meio. A outra metade já fica no banco. É um absurdo'', comenta.
Segundo Ribeiro as entidades empresariais representativas estão fazendo um esforço para abrir os olhos do presidente Lula. ''O presidente precisa entender que são as micro e pequenas empresas que mais geram empregos no País. E são elas que mais precisam de crédito para crescer. O problema é que essas empresas são as que mais têm dificuldade para conseguir crédito. Banco só empresta para quem não precisa. É preciso rever com urgência essa situação. Com dinheiro barato no mercado para as micro e pequenas haveria um aquecimento substancial na geração de empregos e também ajudaria a reduzir a informalidade. Mas parece que só a equipe econômica que não percebe isso'', reforça.

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