A taxa média de juros do empréstimo pessoal aumentou 0,07 ponto percentual (p.p.) em julho sobre junho, mas mantém uma tendência à estabilidade que segue à da taxa básica, a Selic, segundo a pesquisa divulgada pela Fundação de Proteção de Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon-SP). Na modalidade, a tarifa passou de 5,54% para 5,61% ao mês e a média do cheque especial permaneceu em 9,71%.
A taxa média em um ano ficou em 92,61% de juros para o empréstimo pessoal e de 186,67% para o uso do cheque especial. Analistas ouvidos pela FOLHA confirmam que a tendência é de estabilidade, principalmente diante da expectativa sobre a eleição presidencial e sobre a política econômica do governo eleito.
Assessora técnica do Procon-SP, Cristina Martinussi considera que as taxas seguem a Selic. "No caso do empréstimo pessoal, só teve esse aumento em função de uma única instituição que aumentou os juros nessa modalidade, de 6,49% para 6,99%. Isso refletiu esse pequeno aumento na taxa média", explicou, ao citar a variação do promovida pelo Banco Santander.
O professor de economia Sidnei Pereira do Nascimento, Universidade Estadual de Londrina (UEL), afirma que somente uma elevação na quantidade de dívidas não quitadas poderia gerar alta dos juros bancários neste ano, mas, mesmo assim, ele acredita que não passe de 0,50% até 2015. "Estamos com expectativa de um PIB (Produto Interno Bruto) sem crescimento, com o consumo esfriando e setores encolhendo, então pode ocorrer alta da inadimplência."
Por outro lado, o delegado em Londrina do Conselho Regional de Economia (Corecon), Laércio Rodrigues de Oliveira, diz que o fato de o consumo ter desacelerado faz com que um número menor de pessoas busque crédito. "A inadimplência até pode não aumentar, mas já está alta e pode pressionar as taxas. Mesmo assim, como a renda da população não tem aumentado na mesma proporção de outros anos, não há demanda no mercado e os juros tendem a ficar estáveis."

Ranking
A Caixa Econômica Federal é o banco com as menores taxas, com 3,75% para empréstimo pessoal e 6,33% para cheque especial, seguida pelo Banco do Brasil, com 4,72% e 7,95%, respectivamente. Os maiores juros são do Santander, com 6,99% e 10,89%.
O professor da UEL afirma que os maiores responsáveis por "segurar" as taxas são justamente os bancos comandados pelo governo, mais do que a política do Banco Central para a Selic. Porém, ele diz que os privados costumam ser mais ágeis na oferta de crédito, o que explica os juros mais elevados.
A assessora do Procon-SP sugere cautela na escolha. "Tem de ficar muito atento e evitar essas linhas de crédito (empréstimos e cheques especiais). Na situação em que ele realmente precise de empréstimo, deve verificar quais são as mais favoráveis", diz Cristina, que lembra que o empréstimo consignado tem taxas mais atrativas. (Com Agência Brasil)

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